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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Um debate sobre a natureza da percepção da fala: por que a polêmica não fecha?
Autor(es): Gustavo Nishida. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Teorias de percepo da fala,Teoria motora de percepo da fala,Teoria do realismo direto de percepo da fala
Resumo O objetivo deste trabalho é apresentar um “debate” ocorrido entre John Ohala e Carol Fowler em 1996 no qual se discutia qual é a natureza da percepção da fala. Sua apresentação é importante, pois há um hiato com relação às discussões sobre a natureza da percepção de fala. O problema é colocado na década de 50 (com os achados de Liberman e colegas nos Laboratórios Haskins) e somente é retomado em 1996 com esse “debate”. A análise desse debate mostra que os primitivos perceptuais seguem as propostas de primitivos de análise das teorias fonológicas, a saber: no estruturalismo, não havia uma teoria de percepção. No entanto, as pesquisas iniciais tentavam buscar os invariantes perceptuais acústicos influenciadas pela Fonologia Estruturalista de Jakobson, Fant & Halle (1952); no período gerativista, a Teoria Motora da Percepção da Fala (Liberman & Mattingly, 1985) propõe primitivos de base articulatória abstratos. Esse modelo ganha a sua versão revisada (e mais robusta) a partir da proposta de Chomsky & Halle (1968) e da teoria modular da mente de Fodor (1983); por fim, há a proposição da Teoria do Realismo Direto da Percepção da Fala (Fowler, 1984, e seguintes) influenciada pela teoria de percepção de Gibson (1966). Essa abordagem converge para as teorias de fonologia de base dinâmica que tomam o gesto articulatório como primitivo de análise tanto de produção como de percepção (Goldstein & Fowler, 2003). O debate entre Ohala e Fowler ilustra que não há consenso entre os pesquisadores sobre a natureza da percepção da fala. A nossa proposta é a de que esse fato existe porque cada um dos debatedores se situa em um recorte epistemológico que, por sua vez, considera fenômenos distintos como relevantes para sustentar cada uma de suas propostas teóricas, a saber: enquanto Ohala sustenta seus argumentos com base em evidências fonológicas de natureza acústica, Fowler salienta os aspectos articulatórios presentes na percepção e produção da fala. Por fim, ao avaliar as premissas da Teoria Motora da Percepção da Fala (Liberman & Mattingly, 1985), tentamos “esboçar” quais seriam as suas respostas ao debate. Seguindo as bases da Fonologia Gerativa Padrão (Chomsky & Halle, 1968) e da Modularidade da Mente (Fodor, 1983), seus questionamentos sugerem pontos distintos de discussão e de interesse. Trata-se, então, em um exemplo hipotético sobre como as teorias constroem seus objetos de maneira distinta.