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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Corpo e sentido: elementos para compreensão da construção do sentido visual
Autor(es): Daniela Nery Bracchi. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave corpo,sentido,hptico
Resumo A presente comunicação busca compreender como se deu a construção de um novo paradigma epistemológico que propôs o corpo como base para a construção do sentido e como tais considerações influenciaram o ponto de vista sob o qual se estabeleceu uma semiótica da fotografia na atualidade. Retomando a investigação do pensamento de protosemioticistas como Alois Riegl e Gilles Deleuze, percebe-se a presença cada vez maior do tema do corpo nos estudos sobre a enunciação. Tal movimento é consonante com a valorização que esse assunto demonstra nas pesquisas em filosofia, arte e estética a partir da década de 1980. O germe para entender a confluência dos sentidos e seu funcionamento sinestésico pode remontar ao pensamento aristotélico, que entende o tátil como aquilo sem o que a visão não poderia acontecer. Tal ponto de partida parece impulsionar Alois Riegl a postular o termo háptico na segunda edição de seu livro de 1901 sobre a indústria artística do império romano tardio. Pode-se encontrar ainda algumas pistas para compreender como o conceito de háptico é entendido nos dias de hoje retomando a pesquisa na qual Gilles Deleuze busca repropor o entendimento da obra do pintor Francis Bacon e a criação do sentido de movimento e tatilidade em seus quadros. Tais estudos influenciarão a maior consideração do plano de expressão do texto fotográfico e seus elementos plásticos. Eis um importante passo na direção da ampliação do entendimento da fotografia enquanto signo para sua consideração enquanto texto-discurso. Semioticistas como Anne Beyaert e Maria Giulia Dondero vão ajudar a moldar os pressupostos de uma semiótica da fotografia que encontra suas bases nos estudos da Semiótica de Paris. Seguindo a esteira de Jean-Marie Floch e sob impacto dos estudos de Jacques Fontanille, cada vez mais será considerado o exame do plano da expressão e do entorno que cerca a produção semiótica, na medida em que este confere a eficácia enunciativa e pragmática das estratégias delineadas pela imagem. Tais considerações colocam em evidência as práticas enunciativas e interpretativas que fundam a diversidade de gêneros fotográficos. É afirmando esse outro patamar de estudos sobre a fotografia, no qual a especificidade do fotográfico não é afirmada a priori, mas que pode vir a se tornar significante em diferentes níveis constituintes da análise (aquele da fotografia enquanto texto, objeto, prática, estratégia e forma de vida), que o termo Semiótica da Fotografia será reproposto na atualidade.