logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A CONSTRUÇÃO DO ETHOS DISCURSIVO NO GÊNERO INTERROGATÓRIO NA ÁREA DO DIREITO
Autor(es): Aparecida Regina Borges Sellan. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Anlise do Discurso,Discurso Jurdico,Ethos
Resumo Esta pesquisa situa-se na área da Análise do Discurso, tendo por focalização o discurso jurídico. Tem por tema um estudo do modo como se dá a construção do ethos discursivo dos participantes juiz e réu no momento do interrogatório, cujos resultados – informações obtidas e redimensionadas pela indagação e interpretação do juiz – são levados para o texto do processo e, de alguma forma, produzem consequências para o réu. Assim, tem-se por objetivo analisar a relação imagem/postura dos participantes da prática discursiva jurídica com os enunciados produzidos naquelas circunstâncias e, dessa forma, contribuir com estudos que propiciam uma compreensão mais sólida e ampla sobre a argumentação na linguagem jurídica e o reforço que a análise da postura dos envolvidos pode trazer para a construção da síntese da fase interrogatório no processo. Para tanto, fundamenta-se nas bases teóricas da Análise Crítica do Discurso, com vertente sócio-cognitiva, da Teoria dos Papéis Sociais e da Retórica. Para esta análise, selecionou-se o documentário Justiça, da diretora Maria Augusta Ramos, produzido em 2004 o qual trata do cotidiano de alguns personagens situados no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Tem-se por ponto de partida a noção de ethos, herdada da retórica clássica e ressignificada por estudos mais recentes. Segundo tal noção, o locutor/orador, ao construir seu discurso, projeta uma imagem de si, essa imagem, relacionada ao modo com o orador quer o outro o veja, está moldada segundo perspectivas do contexto onde os interlocutores se situam. Considerando o discurso jurídico, o participante que ocupa a posição do juiz possivelmente já se apresenta com um papel marcado pelo poder do lugar ocupado, o que se pode caracterizar como um ethos prévio; do mesmo modo, o papel atribuído ao réu pode ser visto como o daquele que se encontra em posição menos privilegiada, uma vez que, se ali está, é porque, certamente, cometeu algum delito, algo reprovável e merecedor de sanção. Logo, torna-se possível verificar que estratégias textuais e discursivas são utilizadas por esses participantes, em especial o réu, para representar-se como aquele que merece a complacência da justiça. Os resultados previamente obtidos demonstram a validade do estudo como forma de favorecer os estudos que envolvem a área do discurso jurídico.