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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Texto, Discurso, Estilo: cenografias no (inter)discurso sobre uma guerra
Autor(es): rika de Moraes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Discurso,Cenografias,Estilo
Resumo Ao concordarmos com os pressupostos teóricos da Análise do Discurso de linha francesa, sabemos que os discursos derivam interpretações possíveis ao mesmo tempo em que as constituem. Tais interpretações (e sentidos) se revelam através dos textos, ou das cenografias neles postas em circulação. Os estudos de Maingueneau dão enfoque discursivo ao tratamento da questão do texto, enfatizando a relação entre a posição discursiva do texto e, por exemplo, a seleção lexical ou sintática que utiliza. O ethos discursivo é marca relevante na caracterização tanto de seu sentido quanto de seu estilo, já que a doutrina é em realidade “inseparável de uma discursividade, de um modo de enunciação, de um processo de ‘incorporação’” (Maingueneau, 2000). Da mesma forma que se pode constituir um ethos na publicidade (por exemplo, o ethos milagroso de um produto para emagrecer) ou na literatura (o ethos de secura de Don Quixote ou o ethos de preguiça do personagem Garfield), pode-se também constitui-lo nos noticiários sobre o mundo real, como o ethos da “Guerra necessária”. Seu sentido supostamente pré-definido, no entanto, desestabiliza diante de outros discursos, como aqueles representados nos desenhos de crianças palestinas que circularam na internet após o cancelamento de uma mostra nos EUA, em 2012, a qual seria intitulada “Um olhar da criança sobre Gaza”. O cancelamento dessa mostra foi visto como o silenciamento das vozes das crianças que vivem sob a guerra e uma tentativa de manter um discurso hegemônico. No entanto, a “circulação do proibido” pela internet acrescenta novos aspectos ao suposto discurso hegemônico, como a questão do sofrimento provocado pelos ataques a Gaza, comumente excluída do debate oficial. Tratamos esse exemplo como representativo de um funcionamento em que os discursos predominantes se constituem também pela exclusão e, ao mesmo tempo, outras vozes fazem circular outras cenografias. Essas outras formas de circulação desestabilizam o tom de “fonte autorizada” dos discursos hegemônicos. Ao olhar para o texto dessas crianças (e as posições neles implicadas), especialmente a partir das cenografias que o constituem, nossa proposta é discutir a relação entre texto, discurso e estilo, entendendo esses elementos como reciprocamente constitutivos e, simultaneamente, construtores de discursos que se gravam na memória do interdiscurso, desestabilizando os sentidos de outros.