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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: "Conpozissõis Imfãtis": imagens de criança e construção da masculinidade
Autor(es): Mrcio Antnio Gatti. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave criana,esteretipo ,cenografia
Resumo Sabe-se que o estereótipo é uma categoria relevante para o funcionamento dos textos humorísticos. Geralmente é ele que funciona como o identificador de uma categoria de indivíduos, de uma etnia, de um grupo social, servindo como base para a produção do humor. Quando tratamos de textos humorísticos cujos personagens principais são crianças, essa peculiaridade do funcionamento do estereótipo, obviamente, se mantém. Porém, nesse caso, a estereotipia se dá de uma forma mais complexa que aquela de outros grupos e etnias. Tal fato pode estar ligado à própria construção da noção de infância, cuja origem está ligada à transformação pela qual passou a sociedade ocidental a partir da Idade Média (cf. Ariès, 1973; Elias, 1939). A complexidade pode estar ligada não só ao fato de a infância ser uma noção forjada sócio/historicamente, mas também ao fato de que ela representa uma fase da vida dos indivíduos adultos, cuja representação estereotípica pode passar por uma série de “critérios” (etnia, sexualidade, cor da pele, tipos de relações sociais etc.), e ao fato de essa construção da noção de infância ser sempre um discurso do outro (do adulto, da escola, dos educadores, dos psicanalistas...), jamais da própria criança. Nesse trabalho, pretende-se, com base na Análise do Discurso de orientação francesa, analisar a construção da estereotipia da criança nos textos que compõem a obra “Conpozissõis Imfâtis” de Millôr Fernandes, principalmente no que diz respeito à representação da criança do sexo masculino e de sua escrita. Para tanto, considerar-se-á o conceito de cenas de enunciação (cf. Maingueneau, 2006), dando enfoque especial a uma articulação entre as três cenas que compõem o conceito (a cena englobante, a genérica e a cenografia). Considerando que na obra a ser analisada a cena genérica é bastante peculiar, na medida em que os textos que a compõem não são de nenhum gênero comumente encontrado no campo humorístico e que a cenografia desses textos constrói não só a imagem de uma criança do sexo masculino, mas também a imagem da escrita dessa criança, pretende-se abordar o conceito de forma integrada, de modo que possa contribuir para a compreensão do fenômeno da estereotipia nesse recorte do campo humorístico. (Apoio CNPq – Processo 142533/2010-6)