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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A produção de sentidos no discurso etnoliterário
Autor(es): Vanice Ribeiro Dias Latorre. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave universos de discurso e etnoliteratura,produo de sentidos,semntica
Resumo Propusemo-nos a verificar como se dá a produção de sentidos no discurso etnoliterário, instaurada que é pelo falante, a partir do seu universo de discurso, gerado pela percepção da natureza dos fatos estabelecidos no universo antropocultural e permeados pelos conhecimentos culturalmente herdados ao longo de gerações, com seu sistema próprio de significações. Os discursos etnoliterários situam-se em uma zona fluída entre os discursos literários e os discursos sociais não literários, distinguindo-se deles em seus modos de existência e produção de sentidos. Sustentam-se, esses discursos, em verdades gerais e universais, e estão assentados em modalidades discursivas dialeticamente estruturadas, que interagem com grande complexidade, ocupando-se dos sistemas de valores (poder-fazer-saber), e sistemas de crenças (poder-fazer-crer), que, por sua vez, determinam pensamentos e condutas (poder-saber-fazer), e, formas de ver o mundo e o ser humano (poder-fazer-dever). As palavras da língua geral são ressignificadas pelo processo de ressemantização, pois cada etnia privilegia diferentes categorias desde o início da formação do conceptus até a sua configuração, passando pela sua reutilização e, portanto, modificação do recorte cultural e reconstrução particular da visão de mundo, quando se instaura o metaconceptus, e finalmente, a presentificação do metametaconceptus, na busca da eficácia discursiva que incorpora outros tantos novos traços semânticos. No ato da denominação, que acontece no percurso gerativo da enunciação da codificação, o vocábulo-termo, a unidade mínima de significação do universo de discurso etnoliterário, transforma-se em signo-símbolo de um grupo de falantes linguística e socialmente definido, histórica e geograficamente delimitadao, deixando-nos entrever a fragilidade da natureza das suas classificações em uma ou outra categoria, que é alterada conforme o grupo linguístico. Portanto, no discurso manifestado, as unidades lexicais congregam valores conceptuais e semânticos próprios da realidade de um universo de discurso, alicerçadas que são em modelos sociais específicos de uma etnia, gerando sentidos que variam de acordo com sua idiossincrasia. Do leitor, no percurso gerativo da enunciação de decodificação, é exigido esforço de imersão no léxico desses grupos sociais, sem o que é impossível compreender seu universo de discurso, testemunho que é das suas experiências, pois tais grupos reúnem peculiaridades e conhecimentos distintos.