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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Controvérsias científicas: Um estudo de caso envolvendo Hauser, Chomsky & Fitch
Autor(es): Fabio Luis Fernandes Mesquita. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave controvrsias cientficas,evoluo da linguagem,origem da linguagem
Resumo O filósofo Marcelo Dascal afirma que controvérsias científicas trazem ganhos epistêmicos frequentemente ignorados pela comunidade científica, e que estes ganhos podem ser descritos, segundo uma idealização proposta por ele, em termos de ”clarificação das divergências, conciliação dos opostos e emergência de ideias inovadoras”. Mesmo que estas vantagens sejam vistas como uma abstração e que contendas reais entre cientistas nunca atinjam plenamente estas “metas”, o presente trabalho tem o objetivo de mostrar como esta idealização de Dascal desconsidera uma importante distinção: aquela entre os autores da controvérsia e o seu público. Se há ganhos provenientes da controvérsia, eles possivelmente ocorrerão de maneira distinta entre estes dois grupos. A estratégia do presente trabalho é de analisar uma controvérsia científica sobre a evolução e origem da linguagem composta por quatro textos, iniciada pelo artigo “The faculty of language: What is it, who has it, and how did it evolve”, ou HAUSER, CHOMSKY & FITCH 2002. A publicação deste artigo gerou uma réplica por parte da dupla de autores Ray Jackendoff e Steven Pinker e, posteriormente, mais duas respostas de ambas as partes. Ao longo dos textos, contrário à previsão de Dascal, sinais de conciliação entre os dois grupos de autores são praticamente inexistentes. Concluímos também que a clarificação das divergências deve ocorrer de forma mais efetiva do ponto de vista do público, já que os autores mostram, em suas réplicas, argumentos que simplesmente não haviam sido explicitados anteriormente, mas que dificilmente contradizem suas posições prévias. Chomsky, por exemplo, assume que a linguagem humana, em um sentido estrito, deve ter evoluído como uma exaptação, ou seja, a partir de uma adaptação previamente destinada a outra função que não a comunicação. Em outras palavras, segundo ele, a linguagem humana resultaria de um tipo de acidente evolutivo, e esta posição com certeza está relacionada aos pressupostos teóricos de sua teoria gerativista de linguagem. Como os argumentos empíricos vêm de uma infinidade de outros estudos, tomamos como foco dois tópicos que perpassam por todo o debate, e parecem ser cruciais: a divisão entre Faculdade Ampla de Linguagem e Faculdade Específica de Linguagem, proposta no primeiro texto, e a questão evolutiva por trás de toda a disputa, que pode ser ilustrada pela dicotomia “continuísmo versus saltacionismo” própria dos estudos de evolução.