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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Em defesa de um “princípio de relevância”, a par do princípio de projeção e do princípio de recorrência na análise multissistêmica da língua
Autor(es): Jos da Silva Simes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave teoria da relevncia,discursivizao,anlise multissistmica
Resumo Se de um lado, o Princípio de Projeção da proposta de análise multissistêmica da língua (CASTILHO 2007, 2009, 2010) nos ajuda a compreender os mecanismos de predicação (transitividade, colocação, concordância), por outro lado, o Princípio de Recorrência nos permite entender que é importante fazer generalizações sobre os fenômenos particulares de uma dada língua e oferece novas possibilidades de interpretar determinadas escolhas sintáticas como reflexos de desdobramentos dos planos da Semântica e do Discurso. Este trabalho defende que se possa agregar à abordagem multissistêmica da língua o Princípio de Relevância, que, à exemplo dos outros dois princípios, poderia ajudar a explicar fatos da língua decorrentes de escolhas dos falantes na conversação on-line ou na interação escrita. Tal Princípio de Relevância poderia, por exemplo, ajudar a explicar melhor as construções de tópico (CASTILHO 2010: 279-286), as estratégias de modalização epistêmica, deôntica e afetiva codificadas em advérbios (ILARI/CASTILHO 2008:413-456), adjetivos (CASTILHO 2010:511-540), marcadores discursivos (SIMÕES 1997 e 2008) e os diversos casos de redobramento sintático, tais como o caso do clítico locativo ende como articulador discursivo do português medieval e o caso dos clíticos pessoais (Vou te falar uma coisa para você) e do possessivo (MORAES DE CASTILHO 2013:175-308), nos quais há um jogo de saliência de um ou de outro subsistema. Defende-se aqui que em determinadas construções é saliente o traço semântico que se quer ressaltar. Nos casos de concordância [verbo-]nominal, por exemplo, esse princípio poderia ajudar a explicar não uma hierarquia de um dos subsistemas na identificação do ativador sobre os receptores da concordância, mas sim a saliência. O rótulo ativador, como categoria semântica que está fora do sistema da Gramática (MORAES DE CASTILHO 2012), já denuncia esse disparo. Com isso não se quer dizer que os outros subssistemas estariam desativados, mas sim, de certa forma, “submetidos” à investida desse ativador (A multidão enfurecida destruíram as barreiras da polícia). Nessa mesma linha de raciocínio, seria possível hipotetizar que, embora haja uma ativação multissistêmica em todas construções linguísticas, em algumas delas, em função do que chamo de Princípio de Relevância, um dos sistemas promoveria a “direção” do disparo. A adoção desse novo principío à análise multissistêmcia da língua certamente tem consequências para a compreensão dos conceitos de multidirecionalidade e unidirecionalidade. Retomo a questão dialogando aqueles achados com conceitos relacionados à Teoria da Relevância (SPERBER/WILSON 1995 [1986] e CARSTON 2002 apud YUS 2010:679-702; NICOLLE 2011:401-412).