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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Leitura e Autoria nas Produções Textuais do Ensino Fundamental
Autor(es): Elisngela Nascimento Iamamoto. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Autoria,Leitura,Discurso
Resumo A partir dos pressupostos teóricos da Análise do Discurso de filiação francesa, pretendemos investigar as possibilidades de movimento do sujeito-aluno na produção e leitura dos textos, a saber, as posições de autor e leitor, assumidas, ou não, por alunos do Ensino Fundamental. Entendemos que, ao ler e interpretar o sujeito assume determinados lugares discursivos, denominados por Pacífico (2002) como fôrma-leitor (repetição do sentido do texto) ou como função-leitor (historicização dos sentidos). Nesse sentido, a Análise do Discurso fornece um dispositivo teórico que permite ao analista, mesmo sendo interpelado pela ideologia, duvidar dos sentidos legitimados e buscar os indícios presentes nos textos e a inscrição do sujeito em determinado espaço sócio-ideológico, a fim de compreender a singularidade da existência do enunciado produzido. Com base nessas considerações, este trabalho propõe-se a analisar redações de diferentes gêneros textuais de alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental, de uma escola particular de Jaboticabal-SP, observando, por meio das marcas linguísticas presentes nos textos, quais posições discursivas eles podem ocupar ao construir sentidos, se eles repetem os sentidos dos textos lidos (fôrma-leitor) ou se eles podem disputar os sentidos postos em jogo, questionar, historicizar o dizer (função-leitor). Percebemos através das análises dos recortes dos textos produzidos por diferentes alunos no decorrer dos quatro anos escolares, do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, que o sujeito vai construindo seu dizer movimentando-se entre a fôrma-leitor e a função-leitor, entre a dúvida e a ilusão de transparência da linguagem, ou seja, qual (is) sentido foi legitimado e qual (is) pode ser questionado, pois sempre há um atalho, um furo, um deslize ou um equívoco que pode direcionar os sentidos para tantos outros lugares que não podemos controlar. O resultado da nossa pesquisa mostra-nos que, a maioria dos sujeitos-alunos, no decorrer dos anos escolares, ficou na posição discursiva de fôrma-leitor e isso, a nosso ver, está relacionado a uma prática pedagógica pautada na interdição do sujeito ao arquivo (PÊCHEUX), ao interdiscurso, ao discurso polêmico (ORLANDI). A partir desta pesquisa, entendemos que, trabalhar o interdiscurso no intradiscurso coloca em jogo o funcionamento da linguagem em dadas condições de produção discursivas, as quais nos levaram à interpretação de que, mesmo inseridos num contexto autoritário como o escolar, sujeitos e sentidos movimentam-se na construção do discurso e as posições discursivas fôrma-leitor/função-leitor ou função-leitor/fôrma-leitor são possíveis de serem ocupadas pelo sujeito, desde que o discurso autoritário abra espaço para o discurso polêmico.