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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: RASURAS: CONFLITOS ENTRE O ORAL E O GRÁFICO
Autor(es): TATIANE HENRIQUE SOUSA MACHADO, Cristiane Carneiro Capristano. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave aquisio da escrita,rasura,ortografia
Resumo Em geral, rasuras presentes em enunciados escritos produzidos por alunos do Ensino Fundamental I são consideradas pela escola “sujeiras” que deveriam ser “passadas a limpo”. Numa outra perspectiva, essas rasuras – representadas por apagamentos, escrita sobreposta, inserções, dentre outras marcas – podem ser entendidas como lugares de conflito, que permitem visualizar o sujeito escrevente num movimento de negociação, de “aceitação” e “recusa”, de denegação e estranheza de sua própria palavra (cf. CALIL, 2008; FELIPETO, 2008; CAPRISTANO 2007). Partindo dessa segunda perspectiva, neste estudo, objetiva-se examinar rasuras que sinalizam o conflito do sujeito escrevente entre a variedade linguística falada por ele e a imagem que ele faz da norma escrita culta prescrita pela escola. A hipótese é a de que algumas rasuras emergem do trânsito do sujeito escrevente por dois eixos de reconhecimento da heterogeneidade da escrita, como definidos em Corrêa (2004): (a) o eixo da imagem da escrita em sua suposta gênese, momento no qual o sujeito escrevente pressupõe um vínculo direto entre a sua produção linguística falada e a sua produção escrita; e (b) o eixo relativo à imagem da escrita como código institucionalizado, momento no qual o escrevente busca atingir a norma escrita que supõe ser prescrita pela escola. Partilha-se, portanto, da concepção de escrita heterogeneamente constituída, segundo a qual a produção escrita do sujeito escrevente é sempre resultado de um cruzamento entre a circulação desse escrevente por práticas sociais do oral/falado e por práticas sociais do letrado/escrito (CORRÊA, 2004). O corpus deste estudo é constituído por 449 enunciados escritos elaborados por crianças da 1ª ano (antiga primeira série), de uma escola pública da rede municipal de ensino de São José do Rio Preto (SP). Neste corpus, foram identificadas, até o momento, 35 rasuras que parecem emergir do conflito do escrevente entre a variedade linguística falada por ele e a imagem que ele faz da norma escrita prescrita pela escola. A análise desses dados tem sido feita a partir das contribuições de Abaurre et.al. (1997), Chacon (2004, 2005, 2011), Corrêa (2001, 2004), Lemos (1999 e 2002), dentre outros. Os resultados preliminares sinalizam uma proeminência de conflitos em contextos em que o escrevente deve registrar graficamente ditongos decrescentes e a coda vibrante final de verbos no infinitivo.