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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A designação de marcha para oeste e progresso: algumas relações de sentido entre a civilização e o sertão
Autor(es): Rosimar Regina Rodrigues de Oliveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave progresso,marcha para oeste,designao
Resumo O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma análise do funcionamento da palavra progresso na relação com a expressão Marcha para o Oeste em textos publicados pelo jornal O Estado de Mato Grosso, na década de 1940. Para o desenvolvimento dessas análises mobilizamos a teoria da Semântica do Acontecimento, que considera que o sentido da linguagem está situado no estudo da enunciação, do acontecimento do dizer. Por isso, considerando nosso objetivo, os textos analisados foram produzidos em Mato Grosso, no momento da proposta da Marcha para o Oeste. Essa proposta, conforme Villas Bôas e Villas Bôas (1994, p. 41) consistia em um impulso expansionista liderado pelo próprio governo (Getúlio Vargas), com o propósito de desbravar o sertão do Brasil Central que se tratava de “um verdadeiro mundo ignorado”. Pensar os sentidos de Marcha para o Oeste e de progresso é para nós considerar a linguagem na sua relação com a história, pois a significação é histórica, mas na medida em que tomamos o passado não enquanto lembrança (individual), mas enquanto rememoração de enunciações. Nessa direção, analisar as palavras progresso e marcha para o Oeste nos permite compreender os sentidos que elas apresentam na relação com outras palavras como civilização e sertão, por exemplo, além de considerar a argumentação que sustenta esses sentidos. Desse modo, será apresentada a designação desses nomes, ou seja, o que Guimarães (2004a) chama Domínio Semântico de Determinação (DSD), que é a significação de um nome remetida ao real e enquanto uma relação com outros nomes tomada na história (GUIMARÃES, 2002; 2004a). Nessas considerações, nossa unidade de análise é o enunciado em que as palavras funcionam pela enunciação e enquanto elementos de um texto, considerando que é a enunciação que constrói as relações de sentido na língua. Para o desenvolvimento das análises há dois procedimentos que consideramos imprescindíveis, são eles: a articulação que nos permite observar como as palavras significam nas relações de proximidade com outras palavras no texto; e a reescrituração que nos possibilita observar como o movimento de uma palavra (retomadas, reescriturações), no texto, afeta o sentido tanto da própria palavra como de outras palavras e do texto, de modo geral. Esses são procedimentos fundamentais que constituem a enunciação (GUIMARÃES, 2004a, p. 7). Dessa forma interessa-nos o sentido que pudemos reconhecer nessas palavras (progresso e marcha para oeste) postas em funcionamento na e pela enunciação enquanto acontecimento de linguagem e não apenas como uma definição.