logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Entre o desejo e a realidade: o fazer poético em "A estória de Lélio e Lina"
Autor(es): Elisabete Brockelmann de Faria. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Guimares Rosa,criao potica,elevao
Resumo O corpus deste artigo consiste na análise de "A estória de Lélio e Lina", narrativa de Guimarães Rosa integrada, na época da publicação, à obra Corpo de baile, que, posteriormente, é desmembrada em três volumes. A história selecionada contém a trajetória das vivências do vaqueiro Lélio, que chega à fazenda do Pinhém em busca da realização afetiva.Para tanto, o protagonista vê-se envolvido em experiências concretas, seja no trabalho rústico da fazenda, seja no trato com diversos pares femininos. Nesse aspecto, o relacionamento mais significativo dá-se com Rosalina, personagem que inaugura a ordem do transcendente no texto, relacionada à elevação, espiritualidade e aprendizado, embora ostente os traços da velhice do corpo. Associando-se às fontes da poesia, da tradição filosófica, da religião, do mito e da linha psicanalítica, Rosalina destaca-se pelo caráter emblemático, que impregna o texto de valor transcendental. Para o exame da poeticidade do discurso e, em especial, do aporte poético associado à caracterização de Rosalina, valemo-nos, notadamente, dos textos de Roman Jakobson "Linguística e poética" e "À procura da essência da linguagem" e da obra O ser e o tempo da poesia de Alfredo Bosi. Para a associação entre a trajetória de Lélio e os modos narrativos, a contribuição teórica principal é a de Northrop Frye em Anatomia da crítica. Ainda em relação à personagem da velha senhora e sua figuração mítica, utilizamos duas obras de Mircea Eliade: O mito do eterno retorno e O sagrado e o profano. Da linha antropológica e psicanalítica, contamos principalmente com A estrutura antropológica do imaginário de Gilbert Durand. Vale destacar, igualmente, ensaios críticos sobre a produção rosiana, especialmente os de Benedito Nunes, "O amor na obra de Guimarães Rosa" e "De Sagarana a Grande sertão: veredas". Por último, mas não menos importante, está a correspondência trocada entre o escritor e seus tradutores, publicada nas obras Correspondência com seu tradutor Edoardo Bizzarri e Correspondência com seu tradutor alemão Curt Meyer-Clason (1958-1967). O resultado final confirma a estreita relação entre a escolha e condução dos protagonistas e o veio poético do texto, personificado na construção de Rosalina, que atualiza e reatualiza as fontes da poesia.