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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Atlas Linguístico-Contatual da Fronteira Brasil/Paraguai: resultados de um atlas concluído
Autor(es): Regiane Coelho Pereira Reis. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Fronteira Brasil/Paraguai,Atlas lingustico-contatual,portugus em contato
Resumo O Atlas Linguístico-Contatual da fronteira Brasil/Paraguai (ALF – BR PY) descreve e mapeia, por meio de 173 cartas lexicais, os contatos linguístico-culturais que envolvem três idiomas: o espanhol, o guarani e o português. Estas três línguas são faladas na fronteira dos territórios brasileiro e paraguaio, especialmente, na região Oeste do Estado de Mato Grosso do Sul e no Norte do Paraguai. Os resultados deste atlas partiram da análise do corpus obtido por meio de entrevistas aplicadas a 80 informantes, distribuídos em dez (10) pontos de inquéritos, cinco no lado brasileiro e cinco no lado paraguaio: Isla Margarita (Paraguai) divisa com Porto Murtinho (Brasil), Bella Vista Norte (Paraguai) divisa com Bela Vista (Brasil), Pedro Juan Caballero (Paraguai) divisa com Ponta Porã (Brasil); Capitán Bado (Paraguai) divisa com Coronel Sapucaia (Brasil) e, por fim, Pindoty Porã (Paraguai) divisa com Sete Quedas (Brasil). Para a cartografia dos dados linguísticos, adotamos pressupostos pluridimensionais considerando as seguintes dimensões de variação: a dialingual, a diageracional e a diassexual. Consideramos, ainda, marcas etnolinguísticas ao adotar, quando possível, a inserção de imagens que retratam a cultura material difundida na fronteira. Quanto à fundamentação teórico-metodológica esta pautou-se nos princípios da Dialetologia e Geolinguística Pluridimensional. Os resultados do estudo registram fatos linguísticos oriundos das línguas em contato na fronteira, com variações e mudanças na dinâmica interna da língua provocada por fatores externos e sociais. Assim, as cartas linguísticas do ALF – BR PY denotam que nas regiões fronteiriças há interinfluências decorrentes dos contatos desencadeados pelas línguas da fronteira sobre o português. De modo particular, o falar investigado nas cidades gêmeas traduz além dos contatos linguísticos, os culturais que se mesclam no cotidiano de informantes brasileiros refletindo hábitos de origem paraguaia. A cartografia pluridimensional pôde evidenciar que estas interinfluências das línguas em contato migram de um território para outro atribuindo à zona de fronteira peculiaridades diatópicas.