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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Alguns traços estilísticos e a construção do ethos discursivo em poemas de Ferreira Gullar e Ésio Macedo Ribeiro
Autor(es): helba carvalho. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave estilstica discursiva,enunciao,poesia metalingustica
Resumo O presente trabalho analisa as marcas de subjetividade expressas nos traços estilísticos e nos modos de enunciação presentes nos poemas metalinguísticos “Muitas Vozes”, de Ferreira Gullar, e “O soco da poesia”, de Ésio Macedo Ribeiro, bem como a construção de um ethos discursivo. O presente estudo se apresenta em diálogo com o grupo de pesquisa “Estudos Estilísticos”, da Universidade Cruzeiro do Sul, que propôs desde o fim do segundo semestre de 2012, o projeto “Da Retórica à Estilística”, abrangendo os estudos de estilo desde a Retórica ao surgimento da Estilística, no início do século XX. Nesse sentido, a fim alinhar-se à pesquisa desse grupo, os dois poemas analisados contaram, como aparato teórico, com a Teoria da Enunciação e da Análise do Discurso de linha francesa em diálogo com a Estilística, mais propriamente a Estilística Discursiva, a fim de analisar como os elementos estilísticos de cada poema, passando pelas microestruturas do texto (os níveis fônico, lexical, sintático), vão revelar, no plano da enunciação, o modo pelo qual o sujeito (no caso, eu lírico) se apropria da língua e a coloca em funcionamento. Entre os teóricos, citados neste trabalho estão Bally, Matoso Câmara, Benveniste, Martins, Maingueneau e Amossy. Em “Muitas Vozes”, a experiência do eu lírico expõe um fazer poético que emerge de uma pluralidade de vozes que, mesmo fossilizadas, podem ser acionadas a qualquer momento, tornando o diálogo poético possível. Assim, o ethos discursivo que se configura no poema recai sobre o outro, fazendo com que o destinatário procure aderir a um tipo de comportamento poético que reconhece o diálogo com enunciados anteriores. No poema “O soco da poesia”, de Ésio Macedo Ribeiro, o grau de tensão do fazer poético instaura a insistente dificuldade de transformar a realidade em poesia, ou seja, depreende-se que o ethos construído neste poema configura um discurso que põem em relevo a dificuldade do fazer poético.