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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O dialeto do Sul e o dialeto paulista do Kaingáng: influências de aspectos prosódicos em sua morfossintaxe
Autor(es): MARIA SUELI RIBEIRO DA SILVA, Solange Aparecida Gonalves. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Lngua Kaingng: dialetos do Sul e paulista,aspectos prosdicos ,morfossintaxe
Resumo Para Neves (2010), a linguagem se faz na heterogeneidade, no trato dos falantes em relação às marcas que constituem a identidade de uma língua, não importando o território geográfico da qual faz parte. Assim, é a língua Kaingáng (família Jê, tronco Macro-Jê). Uma língua cuja identidade se faz em cada um de seus dialetos: dialeto kaingáng do Sul, dialeto kaingáng do Paraná, dialeto kaingáng de São Paulo. Neste estudo, centramo-nos em dois deles: o dialeto paulista da aldeia Icatu e o dialeto do Sul falado em aldeias do Rio Grande do Sul. Os kaingáng paulistas foram um dos primeiros a se separarem dos demais grupos. Desse modo, o dialeto paulista passou a distanciar-se geograficamente dos demais dialetos (Sul e Paraná). Sem a proximidade com os dialetos “irmãos”, os kaingáng paulistas passaram a usar mais o português e a não mais falar sua língua mãe. Os indígenas mais velhos foram esquecendo-se de determinadas construções do Kaingáng. Há diferenças fonológicas do kaingáng paulista em relação ao kaingáng do Sul. O contato com o português e a redução do número de falantes kaingáng na aldeia de Icatu vem contribuindo para a mudança ortográfica, para mudança na ordem de palavras e na fonologia. O dialeto paulista de Icatu vem deixando de apresentar algumas marcas gramaticais: determinadas construções não apresentam mais a marca de nominativo, o que dificulta na identificação do Sujeito e até mesmo do tipo de ilocução usada pelo falante. Nota-se, na maioria das vezes, que nesse dialeto é a prosódia que mostra a distinção entre uma sentença e outra, não propriamente a construção sintática. A realidade dos kaingáng do Sul é distinta da de São Paulo: o número de falantes de língua materna nas aldeias ainda é acentuado, alcançando em algumas delas o percentual de 60%. Apesar de também fazerem uso do português, estruturas de sua língua materna podem ser verificadas transpostas em construções em português. A proposta nesse trabalho é mostrar, então, algumas dessas particularidades no uso atual do Kaingáng, por parte de seus falantes, em diferentes realidades.