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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Ethos, reprodução e mutação social
Autor(es): Elizabeth Harkot-de-La-Taille. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave ethos,normas endgenas,interpretao
Resumo Herdada da retórica clássica, a definição original de ethos, em Aristóteles, é isenta de dimensões morais. Sua associação ao papel institucional do orador deve-se à retórica romana, conceituação essa que está na base da Análise do Discurso contemporânea, em cujo âmbito Maingueneau (1991, 2002) a estende à totalidade das práticas discursivas: segundo ele, toda apresentação de si é parametrizada pelos papéis sociais definidos no imaginário da coletividade, num processo em laço: o ethos legitima um enunciado que, em troca, legitima concomitantemente a cenografia na qual o enunciado é produzido. Ora, as coletividades não são blocos homogêneos. O conjunto de modelos culturais em vigor num grupo exerce e sofre pressões endógenas e exógenas que tendem ao equilíbrio, mas que podem também produzir desequilíbrio. Ao limitar-se a adaptar as identidades a papéis estabelecidos a priori pelo imaginário social, o ethos oculta, por um lado, as tensões inerentes ao processo de adequação (que nem sempre pode responder às demandas de um subgrupo) e, por outro, as tensões decorrentes do modo como cada participante concretiza sua adequação (já que a atualização do modelo pode incorporar traços desviantes). Focalizaremos o dinamismo do ethos assim definido face às pressões endógenas de dois tipos. As primeiras decorrem da insatisfação que a assunção dos modelos pode gerar em certos subgrupos (apoiamo-nos aqui no estudo das mutações de normas sociais e linguageiras — Klinkenberg 2010 —, transpondo seus resultados às condições de transformação dos ethé correspondentes aos papéis sociais). As segundas pressões são geradas pelo processo epistêmico e semiótico de atualização dos modelos (partiremos, aqui, das reflexões sobre a evolução das grades interpretativas de Klinkenberg e Edeline, 2008). Mostraremos que o mundo socialmente significante é triado pela grade de leitura do indivíduo, por meio de mecanismos que podem se combinar: elaboração de normas endógenas, multiplicação dos códigos interpretativos, mobilização da sensibilidade da instância interpretativa, variação da tolerância desta aos resíduos do processo. Dessas combinações podem eclodir não apenas variações nas formas de adesão dos sujeitos aos papéis sociais estabelecidos, mas também tensões. Duas dinâmicas que, se confirmadas no seio de um subgrupo, podem tornar-se motores internos da mutação social.