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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Alomorfia condicionada pela estrutura silábica em Kanamari (Katukina)
Autor(es): Priscila Hanako Ishy de Magalhes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Lnguas Indgenas,Morfofonmica,Kanamari
Resumo A língua Kanamari é falada na região sudoeste do estado do Amazonas, por uma etnia homônima, e pertence à pequena família linguística Katukina. Nesta apresentação, propomos demonstrar um dos resultados da pesquisa realizada durante o curso de mestrado. Mostraremos como a alomorfia do pronome possessivo preso de primeira pessoa do singular está condicionada à estrutura silábica da língua Kanamari. Essa análise é fundamentada em modelos fonológicos não lineares, através dos quais analisamos e representamos a estrutura silábica do Kanamari. Dessa análise, concluímos que os únicos ditongos permitidos, nessa língua, são decrescentes. Posteriormente, ao analisar a alomorfia do pronome possessivo preso, percebemos que esta ocorre em ambientes que satisfaçam a estrutura silábica. Isto é, genericamente, podemos descrever que o alomorfe de posse de primeira pessoa do singular {i-} ocorre antes de um morfema iniciado por sons consonantais, enquanto que {hi-} ocorre antes de morfemas iniciados por sons vocálicos. Entretanto, encontramos casos em que {i-} ocorre associado a um morfema iniciado por vogal, quando esta unicamente formar uma sílaba. Ainda que esses dados contradigam a primeira regra da alomorfia, tais ocorrências acontecem por motivos fonológicos e são explicadas por meio da estrutura silábica. Em suma, interpretamos que essas exceções ocorrem como um recurso para evitar a formação de ditongos crescentes que não são permitidos nessa língua. Diante disso, interpretamos que o sistema da língua opta por realizar o som aproximante, representado pelo morfema {i-}, antes de sílabas constituídas apenas por núcleo, por meio do recurso de formação de ataque, ou seja, esse som passa a ocupar o lugar de ataque e constitui-se uma consoante fonológica, evitando-se, assim, a violação no padrão silábico da língua Kanamari. O objetivo dessa apresentação é demonstrar dados em que essa exceção à regra ocorre e explicar, por meio da análise da estrutura silábica da língua, os motivos para essas ocorrências. (Apoio: FAPESP - Processo 2010/03116-1)