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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A originalidade na criação verbal de Jules Laforgue
Autor(es): Andressa Cristina de Oliveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Simbolismo francs,Jules Laforgue,criao verbal
Resumo A célebre frase de Mallarmé “não é com ideias que se fazem versos, mas com palavras” é aplicável à técnica poética de Jules Laforgue. Por meio de seu espírito criador, revela-se um verdadeiro bricoleur em matéria lexical. O poeta soube muito bem tirar proveito de suas frequentações artísticas, literárias e, sobretudo, de suas vastas leituras para enriquecer o vocabulário e para despertar seu gênio poético. Ainda, Laforgue sofreu a influência das teorias dos filósofos alemães, sobretudo as de Hartmman, acreditando que a criação estética é obra do Inconsciente. Suas inovações poéticas parecem mais negligência que desprezo às normas, pois, em matéria de linguagem, Laforgue é um trabalhador muito consciencioso, até mesmo minucioso; seu desleixo, que visa criar a ilusão de espontaneidade, é o resultado de uma reflexão amadurecida. O poeta consegue, mais de uma vez, desviar o leitor com seu culto ao insólito, que consiste em ora ignorar as regras convencionais da retórica, ora, ao contrário, a não aplicá-las muito bem. Apesar de os escritores dos anos 1880 terem gozado de liberdade de linguagem quase completa, tratava-se, somente, de uma liberdade relativa, pois permaneceram mais ou menos ligados às convenções. O uso que Laforgue fez das criações verbais está além de uma proposta retórica nova, de concessões ao gosto então em voga, do dandismo literário, dos fenômenos da moda, pois ele é muito menos sistemático, muito mais pessoal e inaugura um dos aspectos fundamentais da linguagem moderna. Vale lembrar, também, que o século XIX, rico em invenções técnicas que acompanham a industrialização e a expansão comercial, é uma época de grande inserção de neologismos na língua. Embora o poeta tenha se orgulhado de “fazer o original a qualquer preço”, isso não significa que evitou as locuções estereotipadas. Pelo contrário, serve-se delas abundantemente, ou tais quais são, ou adaptando-as de acordo com diferentes necessidades por meio de procedimentos de renovação. Pretende-se, aqui, mostrar como Laforgue alcançou os caracteres de uma nova linguagem poética que anuncia a linguagem da poesia moderna: zelo pela densidade, leveza das justaposições e dos choques de palavras, elasticidade do significante. É um dos primeiros poetas a colocar as palavras em liberdade e a maneira pela qual se serve de inovações linguísticas faz parte dessa liberdade. Como tal, fez escola e, dessa forma, foi mais “moderno” do que poderia ter pensado.