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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O discurso tripartite de “Missa do Galo” a partir da análise de sua cenografia, ethos e interdiscursividade
Autor(es): PATRICIA LEITE DI IORIO. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave ethos discursivo,cenas da enunciao,interdiscursividade
Resumo Despindo-se da fantasia, da riqueza, do universo burguês e desmistificando as hipocrisias da sociedade, conferiu-se, ainda, aos textos do Realismo Literário Brasileiro uma objetividade linguística. No entanto, esse desnudar social e linguístico não significou uma simplificação de recursos na construção da materialidade textual, como também não proporcionou um esvaziamento do conteúdo. A riqueza da arte literária estabelece-se, como aponta Maingueneau (2010), porque no campo (discursivo) literário interagem diferentes posicionamentos estéticos que assumem os confrontos impostos pela natureza do campo. Um campo constituído pelo “espaço em que se definem as trajetórias efetivas dos escritores, que estão constantemente reajustando suas estratégias em função da maneira como evolui sua posição” (p. 52). Assim, há, entre outros elementos, que se considerar a imagem do autor. O Conto “Missa do Galo” de Machado de Assis, publicado pela primeira vez, em 1893, no jornal “Gazeta do Povo” e em seguida, em 1899, no livro “Páginas Recolhidas”, destaca-se por oferece-nos o espírito crítico, uma fina ironia e uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira. O olhar machadiano que coteja Romantismo e Realismo, também confronta as aparências da tradição social burguesa às reais situações da comunidade carioca do século XIX. Percebe-se uma divisão tripartite do discurso e recorrências de imagens associadas ao número três quando se examina a construção das cenas da enunciação, especialmente de sua cenografia, do ethos discursivo e da interdiscursividade. Corrompendo o sentido do que diz Machado de Assis no prefácio de “Páginas Recolhidas”, isto é, “Tudo é pretexto para recolher folhas amigas”, buscamos, neste trabalho, (re)colher das folhas amigas de “Missa do Galo” sua memória discursiva, suas intenções e seus modos de dizer a partir da análise das cenas enunciativas, do ethos discursivo e da interdiscursivada. Para tanto, ancoramo-nos na ideia de que “a unidade de análise pertinente não é o discurso em si, mas o sistema de relação com outros discursos por meio do qual ele se constitui e mantém” (Maingueneau, 2010, p. 50).