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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Movimento e focalização em relativas de objeto do Karitiana
Autor(es): Karin Camolese Vivanco. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Relativas de objeto,Movimento,Focalizao
Resumo O objetivo deste trabalho é discutir o morfema de foco de objeto {ti-} em orações relativas de objeto na língua Karitiana (família Arikém, tronco Tupi). Segundo Storto (1999, 2003, 2012), as orações relativas do Karitiana são construções de núcleo interno que exibem movimento do sintagma relativizado para a periferia esquerda da sentença. Em um teste realizado com dois colaboradores, verificamos que relativas de sujeito com o núcleo in situ são aceitas pelos falantes, enquanto relativas de objeto sem movimento foram julgadas como agramaticais. Como a diferença entre relativas de objeto com e sem movimento reside respectivamente na presença ou ausência do {ti-}, nossa hipótese é de que este morfema executa algum tipo de operação indispensável para que uma relativa de objeto seja bem-formada. Intuitivamente, o morfema de foco de objeto sinaliza duas operações: 1) movimento do objeto para a periferia esquerda e 2) focalização do objeto. A partir da teoria de fases (Chomsky, 2001) e do estudo cartográfico de Belletti (1999), propomos a seguinte formalização: a operação descrita em (1) consistiria no movimento do objeto para a borda da fase vP motivado por um traço EPP de v, enquanto (2) seria o movimento do sintagma relativizado para Spec, FocP, uma posição de foco interno à oração. Como nas relativas de sujeito o elemento relativizado se encontra na borda da fase (a saber, em Spec, vP), estas construções envolveriam apenas o movimento do núcleo para Spec, FocP. As relativas de objeto, contudo, envolveriam tanto o movimento do núcleo para fora da fase vP quanto para Spec, FocP. Propomos que o morfema de foco do objeto {ti-} marca, na realidade, apenas o movimento do objeto para fora da fase. Se este movimento não acontecer, o traço EPP de v não será checado e a derivação não convergirá. Tal análise explica a agramaticalidade das relativas de objeto com o núcleo in situ: como o sintagma relativizado não se move nestes casos, o traço EPP de v não é checado e a derivação não é lícita. Esta análise pode ainda ser estendida às perguntas qu- de objeto e construções de foco do objeto, ambientes estes em que o {ti-} também ocorre (Storto, 2012). Nestes casos, o morfema também sinalizaria o movimento do objeto para fora da fase vP, mas a focalização do objeto possivelmente se daria em posições mais altas da estrutura. (FAPESP-2011/15927-7)