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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A grafia usada nos livros didáticos oitocentistas: representação pseudoetimológica ou etimlogizante
Autor(es): MONALISA DOS REIS AGUIAR. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave ortografia,pseudoetimologia,etimologizante
Resumo É comum encontrarmos na literatura que trata da história da ortografia portuguesa autores que se referem à ortografia do século XIX como etimológica e, principalmente, como pseudoetimológica. Neste trabalho, por meio de análise dos vocábulos utilizados nos livros didáticos de maior circulação no Brasil oitocentista, objetivamos verificar em que medida a grafia do período pode realmente ser considerada pseudoetimológica. Para tanto, apoiando-nos nos pressupostos teóricos da História das Ideias Linguísticas, seguindo as ideias de Sylvan Auroux (1987, 1992), as quais são retomadas por Eni Orlandi (2001, 2002) e Fávero e Molina (2004, 2006), examinamos vocábulos retirados de três livros didáticos direcionados ao ensino primário da época: Cartilha da Infância, de Thomaz Galhardo; Cartilha Nacional, escrita por Hilário Ribeiro; e Primeiro Livro de Leitura, de Felisberto de Carvalho. No percurso metodológico, seguimos de perto os princípios propostos por Auroux (1992:13): a definição puramente fenomenológica do objeto, a neutralidade epistemológica e o historicismo moderado. Sendo assim, não vimos a ortografia usada nos livros didáticos como um objeto de natureza estável, ao contrário, foi vista levando-se em conta a diversidade e os saberes sobre ela constituídos, pois, por ser um produto histórico, a ortografia é resultante da interação entre as tradições e contexto. Dessa forma, consideramos os antecessores que trataram desse objeto, destacando o processo continuado de desenvolvimento sobre os saberes ortográficos ao longo do tempo. O reconhecimento desses saberes leva-nos, naturalmente, à adoção de uma neutralidade epistemológica. Desse modo, no percurso analítico, procuramos olhar para o passado reconhecendo que sujeitos diferentes, inseridos em práticas sociais diferentes, situados diferentemente em relação ao espaço e ao tempo não organizam e concebem os mesmos saberes. É justamente o reconhecimento de que saberes ortográficos foram organizados de modos diferentes ao longo da história, que modera o historicismo adotado aqui. A relação entre o saber linguístico e sua representação numa metalinguagem possibilita diferentes abordagens analíticas desse mesmo saber, e é aí que se encontra o seu valor, ou seja, seu grau de adequação a um dado fim, seu efeito de verdade. Esse princípio permite, neste trabalho, discutirmos se realmente a grafia das palavras era de origem pseudoetimológica ou resultante de um raciocínio etimologizante, conforme o sentido atribuído por Kemmler (2001).