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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Linguagem burocrática: comparação entre as construções de identidade na escrita e na oralidade.
Autor(es): Adriano Clayton da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave variao linguistica,anlise do discurso,identidade nacional
Resumo Neste trabalho buscamos mostrar como as questões de identidade nacional e língua oficial se chocam com a identidade individual e lingüística do sujeito enquanto cidadão de determinada nação. Os conceitos de nação e identidade nacional precisam ser legitimados pelo governo ao povo constantemente, pois essa é a forma como se mantém o governo. Dois artifícios para isso são as leis e a língua oficial, que no Brasil é a também conhecida norma culta da língua portuguesa, e estas se legitimam mutuamente. Mas o cidadão comum, em seu dia a dia, costuma viver distante de uma realidade em que a norma culta escrita esteja sempre sendo usada. Como então ele enfrenta essa realidade distante quando se vê diante dela? Para demonstrar isso na prática, por este trabalho, realizamos uma análise discursiva das falas de pessoas que foram até uma Delegacia de Polícia para registrar um Boletim de Ocorrência ou outro documento pertinente, bem como do funcionário, policial, que as atendeu. Ainda buscamos demonstrar como as questões de identidade do sujeito se diluem na burocratização, no processo de criação do citado documento, que adapta as falas das pessoas que procuram por esse serviço público ao formato pré-determinado de um formulário, já que tal documento deve ser escrito na dita norma culta da Língua Portuguesa e deve ser sintetizado e adaptado conforme os critérios e quesitos consagrados para sua elaboração. A norma culta está distante da língua falada e dos usuários desta, bem como o alto grau de formalidade existente no registro de um Boletim de Ocorrência, assim, buscamos mostrar também como o policial, na sua lida diária com pessoas dos mais variados perfis e com diferentes graus de instrução e letramento, adapta sua comunicação a essas pessoas, para que possa entendê-las e ser entendido por elas. Por fim, nosso trabalho analisou situações narradas por policiais em que os conflitos de linguagem, as diferenças nas identidades linguísticas, obrigaram a uma nova estratégia para se buscar o entendimento mútuo e a devida prestação de serviço.