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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: As vogais médias pretônicas no noroeste paulista: comparação com outras variedades do Português Brasileiro
Autor(es): Mrcia Cristina do Carmo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Variao lingustica,Vogais mdias pretnicas,alamento voclico
Resumo Este trabalho discorre sobre as vogais médias pretônicas na variedade do noroeste paulista, comparando-a, em um segundo momento, a outras variedades do Português Brasileiro (doravante, PB) em relação ao comportamento dessas vogais. Na variedade do noroeste paulista, as vogais médias pretônicas estão sujeitas ao alçamento vocálico, por meio do qual as médias-altas /e/ e /o/ são realizadas, respectivamente, como as altas [i] e [u], como em "p[i]queno" e "c[u]sturando". Dois processos podem atuar na aplicação desse fenômeno: (i) harmonização vocálica (BISOL, 1981), em que há a influência de uma vogal alta na sílaba seguinte à da pretônica-alvo, como em "v[i]stido" e "pr[u]curando"; e (ii) redução vocálica (ABAURRE-GNERRE, 1981), em que, geralmente, há a influência do ponto de articulação da(s) consoante(s) adjacente(s), como em "[ku]lher" e "ap[ig]uei". O córpus desta pesquisa consiste em 38 entrevistas com amostras de fala espontânea retiradas do banco de dados IBORUNA (Projeto ALIP – UNESP/IBILCE – FAPESP – 03/08058-6). Este trabalho segue o arcabouço teórico da Teoria da Variação e Mudança Linguística (LABOV, 1972). Por meio da utilização do pacote estatístico GOLDVARB-X, constata-se que a harmonização é o processo mais relevante à aplicação do alçamento, resultado indicado pela seleção da "altura da vogal presente na sílaba seguinte" como a variável mais importante para o alçamento de /e/ e de /o/, como em "m[i]dida" e "gas[u]lina". Após a exposição dos resultados referentes à variedade do noroeste paulista, estes são comparados com os de outras variedades do PB, como, por exemplo, do Estado do Rio Grande do Sul (BISOL, 1981), da capital mineira Belo Horizonte (VIEGAS, 1987), do município capixaba Nova Venécia (CELIA, 2004), da capital federal Brasília (BORTONI, GOMES & MALVAR, 1992), da capital baiana Salvador (SILVA, 1989) e do Estado do Pará (RAZKY, LIMA & OLIVEIRA, 2012), dentre outros dialetos. De modo geral, os percentuais de alçamento no noroeste paulista (16,1% para /e/ e 16,6% para /o/) colocam essa variedade dentre as que menos apresentam o fenômeno. Além disso, a inexistência, no noroeste paulista, do fenômeno de abaixamento vocálico – por meio do qual as vogais médias-altas /e/ e /o/ são pronunciadas como as médias-baixas [E] e [O], como em "al[E]gria" e "c[O]lega" –, faz com que essa variedade se aproxime dos falares do Sul do Brasil, corroborando a classificação geral proposta por Nascentes (1953 [1922]) (Apoio: FAPESP – Processo 2009/09133-8 – & CAPES/PDEE – Processo 2563-11-8).