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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Pressupostos Epistemológicos nas Gramáticas de Ernesto Carneiro Ribeiro
Autor(es): Ednei de Souza Leal. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Gramtica Tradicional,Historiografia Lingustica,Filosofia da Lingustica
Resumo Nosso trabalho tem como principal foco a investigação epistemológica e historiográfica de duas das obras do intelectual baiano Ernesto Carneiro Ribeiro, e situa-se também nas discussões correntes da Filosofia da Linguística no Brasil, dado justamente pelo seu caráter epistemológico e ontológico. Pouco apreciado e mesmo quase esquecido pelos pesquisadores da Historiografia Linguística, a importância de Ernesto Carneiro Ribeiro é percebida devido a qualidade de suas duas gramáticas, pelos diversos debates e polêmicas a que o autor foi envolvido direta ou indiretamente; além de Carneiro Ribeiro ter realizado um feito pouco comum na época, que foi o fato de ele ter optado por uma mudança epistemológica radical entre essas duas obras. Em sua primeira obra, “Gramática Filosófica Portuguesa”, de 1881, Carneiro Ribeiro seguia os preceitos das chamadas gramáticas arrazoadas, ou gramáticas filosóficas, na qual a principal referência em Língua Portuguesa é a “Gramática Portuguesa Filosófica” (1822) de Jerônimo Soares Barbosa; autor, inclusive, que o baiano faz severas críticas. Já em sua segunda obra, “Serões Gramaticais” de 1890, o autor segue os moldes das chamadas Gramáticas Científicas, que já fazia escola no Brasil, seguindo os moldes das escolas linguísticas alemãs, e que perdurou até por volta dos anos de 1940, desde a edição de “Gramática Portuguesa” de Júlio Ribeiro, de 1881. Pormenorizadamente, nosso trabalho, então, concentra-se na pesquisa historiográfica das duas principais obras gramaticais de Carneiro Ribeiro, com vistas a essa mudança epistemológica ocorrida entre a edição de sua primeira até sua segunda gramática. Mais detalhadamente, investigamos os capítulos de Sintaxe na primeira e terceira edições dos “Serões Gramaticais”, as quais também aconteceram mudanças, inclusive em seu conteúdo: na verdade o autor expões diversas discussões e debates dentro das obras, algo que era – e ainda é – pouco comum em obras dessa natureza, ou seja, gramáticas de cunho didático. Tais investigações são importantes não apenas como documentos históricos, mas para que se entenda melhor o período de estudos linguísticos daquela época, que foi um dos mais profícuos antes do estabelecimento do chamado Estruturalismo no Brasil.