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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O Sujeito e o Discurso na Clinica do Autismo
Autor(es): Mrcia Maria da Silva Cirigliano. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave Sujeito,Discurso ,Autismo
Resumo Este trabalho busca analisar os diversos discursos acerca do autismo e da criança autista, para fins de tese de Doutorado, envolvendo as áreas da Musicoterapia, Psicanálise e Análise de Discurso, de linha francesa. Mobilizam-se os conceitos de voz em Jaques Lacan (2003 [1962]) e de discurso, em Michel Pêcheux (2008 [1983]). A pesquisa tem por objetivo, examinar as falas presentes na clínica do autismo, a partir de entrevistas com mães de autistas e profissionais, que com eles trabalham, no Instituto Benjamin Constant, escola para cegos fundada no Rio de Janeiro, em 1817. Atualmente, o Instituto também recebe crianças com distúrbios associados à cegueira, entre os quais o diagnóstico de autismo. O encaminhamento à Musicoterapia se faz quando comportamentos inusitados dos autistas atrapalham a rotina escolar. Um atendimento musicoterápico se inscreve a partir da própria definição de Musicoterapia: utilização da música como elemento terapêutico (Bruscia, 2000). Aí não se prioriza tanto a estética ou o virtuosismo musical na performance: os elementos musicais são utilizados para possibilitar a que o paciente se expresse e é, a partir disso, que se vai construindo o fazer musical. Percebe-se que a música ajuda a melhorar tais comportamentos e que as crianças começam a falar palavras soltas, a partir dos atendimentos musicoterápicos, tendo por conseqüência, a reação positiva, por parte das mães e profissionais, que passam a incluir a criança de modo diferenciado em seus relatos. Na medida em que não fala de maneira compreensível aos demais, o autista ‘é falado’ a partir de alguns lugares - os manuais de psiquiatria, os dicionários de Psicanálise (Chemama, 1995) e as diversas falas do cotidiano escolar - talvez na tentativa de o sujeito falante lhe atribuir sentido. Em vista deste contexto, cabe perguntar: há voz no autista?Ele é sujeito? Se não está no discurso, de acordo com os saberes mencionados, o que verbaliza? Investigando estas questões busca-se verificar o quanto que, escutando o que a criança autista vocaliza, haveria possibilidade de colocar esta vocalização em uma estrutura musical que permita a que outros sons e palavras possam emergir.