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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: AUTISMO: MARCAS DE HETEROGENEIDADE DE UM DISCURSO
Autor(es): CYNARA MARIA ANDRADE TELLES. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave sujeito,discurso,contemporaneidade
Resumo RESUMO: Utilizando como referencial teórico a Análise do Discurso de filiação francesa, (MICHEL PÊCHEUX, 1969, 1983) pretendemos neste trabalho, investigar, por meio de entrevistas, o discurso de profissionais da saúde e da educação, com experiência de trabalho com sujeitos autistas. Buscaremos nesses depoimentos, modos de ressignificação da doença e marcas de heterogeneidade nos enunciados desses representantes do discurso da ciência. Para isso, teremos como pilares teóricos os conceitos de heterogeneidade e de sujeito do inconsciente, como propõe a psicanálise (FREUD, 1895-1939 e JACQUES LACAN, 1937-1981) entendido também como sujeito da linguagem, e que, ao enunciar, estabelece um “acordo” com o discurso do outro, marcando explicitamente o caráter heterogêneo do discurso, como uma tentativa ilusória de delimitar territórios entre o seu discurso e o discurso do outro, tomado como “um”, tentando negar a heterogeneidade constitutiva que se manifesta implicitamente pela retomada de já-ditos, dados pelo interdiscurso. Esta concepção caracteriza a ausência de neutralidade da palavra que circula e habita uma infinidade de discursos outros, que se constituem por embates, pactos, ajustes e consentimentos. Em nosso trabalho de dissertação de mestrado, investigamos, por meio de entrevistas, o discurso de mães sobre o autismo de seus filhos O interesse por esse tema surgiu a partir da experiência de atendimento clínico-psicológico, marcada por questionamentos e desafios em uma instituição municipal onde eram atendidos casos de doença mental infantil. Observávamos que o diagnóstico, em lugar de auxiliar, muitas vezes se colocava como obstáculo na relação com esse filho, o que foi confirmado na escuta das mães, que se viam impedidas de significar subjetivamente esse filho, após serem informadas, por representantes do discurso autorizado da ciência, do “problema” de seus filhos. Com a intenção de prosseguir nessa pesquisa, pretendemos agora investigar o discurso de profissionais da saúde e da educação, seguindo especialmente as marcas de heterogeneidade, e de ressignificação da doença, dos representantes do discurso da ciência sobre o autismo, por se tratar de um trabalho de caráter inédito, atual e polêmico, marcado por diferentes visões advindas do discurso médico, das famílias, do discurso pedagógico, e também por não haver trabalhos disponíveis com o enfoque a que este se propõe: os modos caracteristicamente heterogêneos de significar o autismo, com campos de saber em grande parte, totalmente dissociados e controversos entre si.