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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O PROBLEMA DA VARIAÇÃO ESTILÍSTICA NA IDENTIFICAÇÃO DE AUTORIA
Autor(es): Dayane Celestino de Almeida. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Sociolingustica,Semitica,Lingustica Forense
Resumo Recentemente, tem havido interesse em atribuir a autoria de textos para ajudar a resolver crimes ou dirimir contendas judiciais, contextos em que pode ser necessário responder: “Quem escreveu este(s) texto(s)?". Isso requer uma análise que identifique ou exclua um suspeito como autor de um texto e, já que atualmente grande parte dos textos não são manuscritos, uma análise grafológica, e.g., torna-se insuficiente. Entra em cena, então, a análise linguística, buscando características que distingam autores. Deve-se analisar o texto de autoria questionada, comparando-o com uma amostra de textos dos suspeitos. Porém, neste contexto, os textos comparados são normalmente de natureza bastante diferente. O texto de autoria questionada pode ser uma carta de suicídio e os textos para a comparação podem ser muito distintos (quanto ao propósito, tema, formalidade, destinatários, gênero, etc.), tais como posts na internet, e-mail formais, e-mails para amigos, textos de blogs, diários, etc. Assim, emerge a pergunta: se existe variação intrafalante (LABOV, 1966) e se ela ocorre tanto na mudança da situação de comunicação quanto em resposta à mudança de audiência (BELL, 1984), se o estilo parece ser dependente do tipo de texto (OLSSON, 2008), i.e. se um indivíduo está sempre variando, como determinar que um mesmo indivíduo é o autor de vários textos redigidos em situações diferentes e destinados a interlocutores diferentes? Tomando-se a distinção hjelmsleviana entre plano da expressão e do conteúdo (1975), vê-se que as técnicas atuais propostas para atribuição de autoria forense – e.g. Winter e Wools (1996), Chaski (2001; 2004), McMenanin (2002), Turell (2010; 2012), Olsson (2004), Woolls e Coulthard (1998), Coulthard (2004) – analisam itens referentes ao plano da expressão. A hipótese é que este nível pode estar repleto de muitos tipos de variação, mas os níveis mais profundos, (conforme se “avança” no plano do conteúdo), têm mais probabilidade variar menos. Mesmo que seja necessário comparar textos muitos distintos, a hipótese é de que o enunciador continue fazendo as mesmas escolhas nos níveis mais abstratos/profundos dos textos. Para analisar o plano do conteúdo, usa-se aqui a semiótica discursiva (Greimas; Courtés, 1979), que apresenta um modelo de análise para tal plano, em que é possível identificar recorrências na sua estruturação, depreendendo marcas de um autor nos níveis mais profundos dos textos. Conforme Discini (2009) e Fiorin (2008), as marcas do modo de dizer de um enunciador estão presentes no enunciado desde os níveis mais “enraizados” dos textos e não só na sua manifestação.