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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Os percursos do sujeito “andarilho” e formas de vida em “O gorro do andarilho” de Menalton Braff
Autor(es): FLAVIA KARLA RIBEIRO SANTOS. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave percurso narrativo,percurso patmico,formas de vida
Resumo O conto “O gorro do andarilho”, de Menalton Braff, é objeto de análise deste trabalho, que tem por base o referencial teórico da semiótica francesa. No conto, um andarilho deseja recuperar seu gorro, furtado por outro andarilho. O andarilho é um homem solitário, que se encontra a contragosto na companhia do Gordo, nome do outro andarilho. O gorro é o único bem do andarilho, protegendo-o contra o frio que sente vivendo na rua, depois de ter sido privado do emprego e da família. Ao acordar da sesta, o andarilho vê seu gorro na cabeça do Gordo, pede o objeto de volta várias vezes, mas o Gordo, como antissujeito, não o devolve, e ainda ri, incessantemente, do proprietário do objeto. Crendo ter direito ao gorro e sentindo-se menosprezado pelo Outro, o andarilho mata o Gordo com uma pedrada na cabeça, recuperando o objeto-valor. Nosso objetivo é analisar o percurso narrativo do sujeito andarilho em sua relação polêmica com o antissujeito e também seu percurso patêmico associado à paixão da vingança. Descrevemos ainda as isotopias figurativas do texto que recobrem os temas da exclusão social e da violência, o primeiro como causa e a segundo como consequência da desumanização do andarilho, que se encontra à margem da sociedade, sem esperança, desamparado, anulado. Nesse sentido, ao analisarmos o fazer do andarilho que mata o Gordo para recuperar o objeto-valor “gorro”, procuramos apreender as formas de vida que no texto se manifestam relacionada à paixão da vingança. A manifestação passional revela, na interação do sujeito andarilho com o Outro, representado pelo sujeito Gordo, a oposição da moral social à moral do indivíduo andarilho, que sabe-fazer, ou seja, sabe recuperar o objeto-valor “gorro”, mas também não-sabe-não-ser, ou seja, não sabe não ser violento, tendo em vista o universo cultural de sub-humanidade e marginalidade em que está inserido.