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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: As perífrases “ir” e “vir” com valor temporal nas línguas neolatinas: gramaticalização e tipologia.
Autor(es): Silvio Domingues. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Perifrases,Neolatinas,gramaticalizao
Resumo Um dos aspectos mais curiosos nas línguas românicas, e também de algumas línguas germânicas, é o fato de desenvolverem processos de evolução sintáticos e morfológicos semelhantes. Um dos primeiros processos de mudanças nas línguas neolatinas que as distanciaram do Latim foi a perda dos casos. Como aponta Teyssier (1997:17) “as línguas neolatinas perdem a forma sintética do latim e os casos da língua latina dão lugar a preposições e colocação da palavra na frase”. Segundo Teyssier os artigos definidos hoje existentes nas línguas formaram-se com base no pronome demonstrativo ille, dessa forma as quatro formas usadas antes no latim, diferenciadas em número e gênero - illum, illam,illos, illas - dão origem inicialmente a lo,la,las e los em virtude da aférese sofrida pelo seu emprego pro clítico.Na língua portuguesa deu-se o desaparecimento da consoante “l”.Dentre as línguas latinas, o Sardo foi a única que desenvolveu seus artigos a partir dos pronomes determinativos -Ipse, Ipsa, ipsum, ipsos,ipsas- que deram origem aos artigos su, sa e is. O futuro simples (do indicativo) do latim foi substituído em toda România Ocidental, pela perífrase construída com o verbo latino habere, a forma cantabo deu lugar a construção cantare habeo ,que por sua vez deu origem a forma sintética “cantarei” por meio de aglutinações e perdas fonéticas. É comum nas línguas do mundo o uso do verbo “ir” em sentenças que sugerem uma intenção e acabam, devido a frequência de uso, gramaticalizando o verbo em perífrase para a construção do futuro. As perífrases com os verbos “ir” e “vir” são muito comuns na formação de tempos verbais nas línguas românicas, podem formar tempos verbais como pretérito e o futuro. Há línguas que adotaram as perífrases como único meio de expressar algum tempo verbal e há outras em que a frequência do uso a partir de um processo de gramaticalização, como sugere Bybee (2010), passou a ocupar o lugar de um tempo verbal antes tido como padrão. Partindo dessas observações, este trabalho tem como objetivo uma análise tipológica dos usos das perífrases “ir” e “vir” nas línguas neolatinas, suas riquezas em construções que sugerem tempos verbais, transição da forma sintética para a analítica e análises do processo de gramaticalização nas duas perífrases.