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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A interface entre a sociolinguística e a teoria da gramática: um estudo de caso
Autor(es): Silvia Regina de Oliveira Cavalcante. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave sociolingustica,teoria da gramtica,colocao pronominal
Resumo Desde o célebre artigo de Kato e Tarallo (1989), o diálogo entre gerativistas e variacionistas começou a se consolidar, inaugurando uma nova frente de pesquisa conhecida no Brasil como a Sociolinguística Paramétrica, ou Variação Paramétrica, que tem sido considerada o casamento da sociolinguística com a teoria da gramática. Apresentarei neste trabalho como esse casamento é possível, tendo em vista as contradições teóricas que existem comparando um modelo com o outro. A contradição inerente desse casamento está na concepção de língua de cada modelo: para a Teoria da Variação e Mudança, a heterogeneidade é inerente à língua e a variação está na língua, ou seja, a variação é intra-linguística (Weinreich, Labov, Herzog, 1968); para a teoria de Princípios e Parâmetros, os parâmetros são marcados no momento da aquisição e dão conta da variação entre gramáticas (ou Línguas-I), ou seja, a variação é inter-linguística (Chomsky e Lasnik, 1993; Lightfoot, 2003). No que se refere especificamente à mudança linguística, o paradoxo é encontrado na própria maneira de conceber a mudança: para os variacionistas, a mudança é lenta e gradual e isso se vê a partir do comportamento dos dados; para os gerativistas, a mudança significa uma nova marcação paramétrica no período da aquisição e ela ocorre abruptamente (Lightfoot, 1999, 2003, 2006). Como então conciliar os dois modelos de análise? Esse “casamento” dá certo? Buscarei responder a essa pergunta a partir da análise do padrão de colocação pronominal encontrado em cartas escritas por casais entre os séculos XIX e XX retiradas do Corpus Compartilhado Diacrônico (www.letras.ufrj.br/laborhistorico), do Projeto “Retratos da mudança no sistema pronominal: edição diplomático-interpretativa em fac-símile de cartas cariocas (séculos XVIII-XX)”, coordenado por Célia Lopes (UFRJ). A análise dos dados revela padrões de colocação pronominal bem diferentes entre os missivistas, considerando-se a data das cartas, o sexo do missivista e a seção do documento. Defenderei aqui que a associação entre as duas teorias é possível ao considerarmos que a variação que aparece nos textos históricos é fruto de competição de gramáticas (Kroch, 1989, 1995). Além disso, a mudança gradual é aquela que ocorre na substituição de uma gramática por outra (Pintzuk, 2003) e não na parametrização de uma nova gramática. Para tanto, os dados são levantados e codificados utilizando o programa GoldVarb X (Sankoff, Tagliamonte, Smith, 2005) para o tratamento estatístico dos mesmos.