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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O ACONTECIMENTO E FORMAS DE VIDA EM “ESTORIINHA” DE JOÃO GUIMARÃES ROSA
Autor(es): VERA LUCIA RODELLA ABRIATA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave acontecimento,rotina,formas de vida
Resumo Este trabalho analisa o conto “Estoriinha”, de Guimarães Rosa, por meio do referencial teórico da semiótica francesa. No conto Rijino é abandonado por sua mulher Elpídia, que se apaixona por seu irmão mais novo, Mearim, e com ele foge. Mearim, no entanto, não suportando a culpa, deixa a mulher e volta a conviver com o irmão, até que, um dia, Elpídia retorna por desejo do marido. Ambos os irmãos a esperam na beira do rio onde para o vapor que a traz de volta. Ela só tem olhos para Mearim, mas o marido Rijino a recebe, segurando-a pelo braço, quando ela, repentinamente se atraca com ele, assassinando-o. Nosso objetivo é analisar o acontecimento que se manifesta no conto, associado ao fazer inesperado de Elpídia, cuja forma de vida libertária, se associa à paixão amorosa pelo amante, de tal forma intensa, que a faz assassinar o marido, transformado em antissujeito. Procuramos analisar, portanto, a configuração da forma de vida da mulher, figurativizada por Elpídia, que, por meio do assassinato do marido, rompe com o estereótipo da mulher submissa e, em nome da paixão amorosa, comete tal ato de loucura para dele se libertar. Devemos observar que a noção de acontecimento, tal qual o concebe a semiótica tensiva, relaciona-se a algo afetante, perturbador, que suspende momentaneamente o curso do tempo. O tempo, todavia, retoma seu curso, e o acontecimento entra gradativamente em vias de potencialização, primeiramente, na memória, depois, com o tempo, na história. Assim o acontecimento ganha em legibilidade, em inteligibilidade, perdendo paulatinamente em agudeza. Dessa perspectiva, nossa hipótese relativa ao texto, objeto de análise, é que o acontecimento se relaciona à intensidade da paixão amorosa de Elpídia por Mearim, que a leva a assassinar o marido, acontecimento afetante, perturbador, que suspende momentaneamente o curso do tempo, o qual, todavia ao retomar seu curso, propicia ao amante, como sujeito perceptivo, adquirir em seu monólogo interior, cujo ponto de vista o narrador acompanha, a dimensão da paixão amorosa que também nutria pela mulher. Nesse sentido, a paixão amorosa de Mearim também se sobrepõe ao sentimento de culpa, que ele, enquanto sujeito, supera, levando-o a sobrepor uma forma de vida estereotipada por uma nova forma de vida, e a moral individual à moral social.