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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: INTELECTUAIS EM CRISE: A ALEGORIA EM UM QUARTO DE LÉGUA EM QUADRO, DE LUIZ ANTÔNIO DE ASSIS BRASIL
Autor(es): Mariana Moreira Fernandes Barata. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Intelectuais,Assis Brasil,anos 70
Resumo O presente artigo se propõe discutir a representação da crise dos intelectuais, a partir de um discurso alegórico, como uma das possíveis linhas de interpretação do romance Um quarto de légua em quadro, de Luiz Antônio de Assis Brasil. É nossa hipótese de trabalho que há, na obra supracitada, um debate acerca das limitações desse grupo social através da personagem Gaspar de Fróis, intelectual anacrônico que experiencia, dentro de uma trama narrativa que se passa no século XVIII, as contradições existenciais que caracterizam os intelectuais a partir do século XIX. Essa disjunção temporal deslocará nossa visão analítica, abrindo espaço para uma leitura alegórica, especialmente quando levamos em conta seu contexto de produção: os anos 70 e a ditadura militar brasileira. A fim de demonstrarmos como ocorre, em Um quarto de légua e quadro, a reflexão sobre os limites da ação dos intelectuais, discutiremos, num primeiro momento, a distinção entre letrados e intelectuais, apoiando-nos nos apontamentos de Sartre (1994), Bobbio (1997), Rama (1998), Said (2005), Sarlo (2006), Cury (2008) e Amaral (2007). Nossa discussão pautar-se-á pelo entendimento de que os intelectuais são um grupo moderno, não esquecendo de identificar nos letrados os seus precursores. A partir dessas considerações, tomaremos como anacrônica a caracterização da personagem Gaspar de Fróis como um intelectual, entendendo que esse recurso, elaborado por Assis Brasil, não é fortuito e implica em uma interpretação alegórica sobre o papel dos intelectuais durante a ditadura militar. Sendo assim, em seguida, nos deteremos sobre os rumos da produção ficcional brasileira na década de 70, tal como a entendem Avelar (2003) e Süssekind (2004). Veremos como a alegoria, para além da censura imposta pela ditadura militar, se torna uma tônica do período, juntamente com o romance-reportagem e a narrativa confessional. Apresentaremos como é representada a temática que nos propomos trabalhar no romance, salientando o deslocamento inexorável da personagem Gaspar de Fróis, dividida entre os colonos e os militares que coordenam o processo de assentamento dos açorianos. Ficará, então, patente que o intelectual, por suas especificidades, não poderá assumir-se como porta-voz dos desvalidos ou coadunar-se com a classe dirigente, não por coincidência militar. Por fim, trazendo para o debate as considerações de Gagnebin (1989) e Avelar (2003) sobre esse recurso estilístico, defenderemos, a título de hipótese, que Um quarto de légua em quadro trata, de forma velada, a crise do papel dos intelectuais, acentuada durante a ditadura militar.