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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Atividade epilinguística: uma proposta de trabalho no ensino fundamental
Autor(es): Leticia Marcondes Rezende, Camila Arndt. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave conjuno ,ensino fundamental
Resumo Esta comunicação é resultado de uma dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós Graduação em Linguística e Língua Portuguesa da F.C. L da Unesp de Araraquara. O objetivo foi defender um conceito de linguagem que apresenta um aparente paradoxo, o de fazer coincidir aquilo que é generalizável nas línguas com aquilo que é singular. A hipótese que defendemos foi a de que existe uma variação radical de experiência (variação espaçotemporal dos indivíduos) e de expressões linguísticas correspondentes. São, pois, as singularidades das situações de ensino que precisam estar no horizonte de quem se propõe a pensá-lo. A atividade epilinguística ganha toda a sua importância exatamente quando colocamos essas variações radicais de experiência e de expressão ou, ainda, quando defendemos uma indeterminação fundamental da linguagem. Como procedimento metodológico, esse trabalho epilinguístico foi proposto para uma turma de sexta série do ensino fundamental. Utilizamos a modalidade oral por conceder aos alunos maior espontaneidade nas suas considerações. Como a atividade epilinguística está subjacente a todos os processos constitutivos da linguagem, também está presente em todo o trabalho com os enunciados da língua. Delimitamos o foco de interesse das aulas que compuseram a parte experimental da pesquisa e, desse modo, decidimos detalhar as operações que sustentam a significação da marca mas. Como resultado, verificamos a presença de cinco procedimentos distintos que modelam a marca nos diferentes contextos em que aparece. Trata-se: do estabelecimento do alto grau da noção; da constituição da fronteira do domínio nocional; da construção do gradiente no interior do domínio nocional; do acionamento de inferência e do estabelecimento de uma concessão. Todos esses procedimentos são sustentados pela operação de negação. Os aprendizes, por meio de discussões orientadas pela professora/pesquisadora e da manipulação dos enunciados, construíram seu próprio conceito de conjunção, bem como reconheceram os vários sentidos atrelados à marca mas, sem contudo se fixarem a classificações restritas, aos moldes da gramática normativa. O trabalho com as atividades epilinguísticas sensibilizou os aprendizes para a plasticidade das palavras, desmistificando a premissa de que somente o que está previsto pela norma é correto, ou aceito. Essa consciência da significação das palavras dá aos alunos autonomia diante da língua, diante dos textos orais ou escritos que produzem na escola ou fora dela, e permite a elaboração de uma metalinguagem consciente e de uma gramática operatória.