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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: REPRESENTAÇÕES DE “CADEIA” EM DISCURSOS DE DETENTAS DO PRESÍDIO FEMININO DE TRÊS LAGOAS – MS: DISCIPLINA E/OU RELAÇÕES DE PODER?
Autor(es): DANIELE CRISTINA SCALIANTE. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Anlise do Discurso,Disciplina,Poder
Resumo Discursos cristalizados, representações imaginárias e relações de poder constituem os contextos prisionais, de onde advêm reflexões que os abordam concomitante e (in) conscientemente. Estando tal contexto envolto em relações (des) iguais de poder e autoridade, tais discursos categorizam de modo por vezes generalizante, sujeitos e lugares. Tal investigação se justifica por constituírem estes aspectos o discurso num contexto de consideráveis relações, perpassado por regimentos e, sobretudo, autoridade, disciplina e poder. Objetivamos apontar tais relações que possibilitam (ou não) situações de exclusão, interpretando possíveis representações de “cadeia” que possuem as detentas do Presídio Feminino de Três Lagoas – MS, onde por meio de seu discurso, estendem reflexões atreladas a efeitos de sentido perpassados inclusive, pela ideologia. Para isso, partimos da hipótese de que há em meio a este contexto, discursos revestidos de (camuflada) resistência, onde por meio de estratégias “revelam-se” contrários às representações já constituídas em sociedade. Assim, pautamo-nos por questões como: quais as estratégias de resistência que suscitam em meio às tentativas de controle? Quais os efeitos de sentido possíveis ao representarem a “cadeia”? Há disciplina regida pelo poder? O procedimento metodológico consta da seleção e análise discursiva de excertos de seis cartas escritas por detentas do Presídio Feminino de Três Lagoas-MS, destinadas a familiares, amigos ou o companheiro (marido) que por vezes possa estar no Presídio Masculino. O arcabouço teórico deste trabalho fundamenta-se nos pressupostos da Análise do Discurso de linha francesa, com as contribuições de Pêcheux (1991), tratando de identidade em Coracini (2007) e ancorando-se também dos pressupostos do filósofo Foucault (1984) no que diz respeito às relações estabelecidas por meio do discurso perpassado pelo poder e pela disciplina, bem como a reflexões acerca dos contextos prisionais. A análise inicial indica que em meio às representações de “cadeia” emergem o discurso da indignação e do arrependimento, representando tal contexto pelos dizeres: “maldito lugar”; “cadeia é cadeia, só muda de endereço”; também dizem sentirem-se “bem, na medida do possível”, significando estarem num “entre lugar”, onde as instâncias de controle buscam “reformar” e “corrigir”, tornando-as corpos dóceis.