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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Representações mentais e linguagem: um estudo a partir da aquisição da morfologia do Português Brasileiro
Autor(es): Aline Lorandi. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Conscincia morfolgica,Modelo de Redescrio Representacional,Aquisio da morfologia
Resumo Karmiloff-Smith (1986,1992,1998) entende que o desenvolvimento em si é a chave para que entendamos como se dá o processo de aquisição do conhecimento, bem como o desenvolvimento da cognição humana. Sob essa premissa, a autora concebe o seu Modelo de Redescrição Representacional (modelo RR), o qual transcende a dicotomia implícito-explícito na explicação de fenômenos de aquisição da linguagem e de consciência linguística, por exemplo, buscando dedicar atenção à trajetória desenvolvimental de cada aspecto estudado. No trabalho que pretendemos apresentar, abordaremos a aquisição da morfologia do Português Brasileiro (PB) sob a perspectiva do modelo RR, procurando ilustrar como é possível identificar no comportamento verbal de crianças em fase escolar e pré-escolar (de 2 a 12 anos) os quatro níveis de representação mental descritos por Karmiloff-Smith – um implícito e três explícitos. O trabalho foi desenvolvido por meio de coletas de dados espontâneos e também com o auxílio de testes de consciência morfológica especificamente concebidos para esta investigação. Os testes abordam a derivação, a flexão e a extração de base de pseudopalavras, bem como o julgamento de aceitabilidade de palavras criadas por crianças a partir de recursos do PB (conhecidas como formas regularizadas e/ou com trocas de sufixos flexionais, produzidas em fase de aquisição da linguagem, tais como “fazi” ou “serveu”), seguidas de explicação desse julgamento. Os resultados que serão apresentados consistem em um recorte, no qual utilizaremos os dados de duas crianças de cada série – de pré-escola I até o 4º ano –, além dos dados espontâneos das crianças mais novas (menos de 3;4), para mostrar seu desempenho das tarefas trabalhadas e o que esse desempenho nos revela sobre o modelo RR. A análise dos dados nos permitiu constatar que o desenvolvimento das habilidades de lidar com os recursos morfológicos da língua, na forma como foram eliciadas no trabalho, independe de idade/série escolar, tal como aponta Karmiloff-Smith, e que as crianças lidam de modo diferente com palavras reais e inventadas, assim como há diferença no tratamento dispensado à flexão, à derivação e à extração de base. Essas diferenças parecem apontar um caminho interessante no tocante ao que significam diferentes tipos de conhecimento linguístico com relação ao desenvolvimento cognitivo das crianças, tendo em vista a relação deste com o domínio da linguagem e de seus subsistemas. (Apoio: CNPq - Processo 140107/2007-0).