logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O que é mesmo um ensaio? Linguagem verbovisual e dimensão argumentativa
Autor(es): Jean Cristtus Portela. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave Histria em quadrinho,Ensaio,Semitica
Resumo Neste trabalho pretendemos investigar a relação entre tipologia discursiva e textualização, mais especificamente no que diz respeito ao suporte formal que serve à linguagem verbovisual das histórias em quadrinhos e dos textos verbais ilustrados. Partimos da hipótese, preconizada por. J. Fontanille, de que um texto define-se tão somente como um estrato ou nível de manifestação possível de uma semiótica-objeto, integrando o nível "inferior" dos signos e sendo integrado pelos níveis "superiores" dos objetos, das cenas práticas, da estratégia e das formas de vida. Segundo essa concepção sobre a geração da expressão de uma semiótica-objeto, entende-se que uma tipologia dos discursos coloca em jogo mais do que propriedades textuais e discursivas, mas uma rede complexa de relações que envolve experiências semióticas de vários tipos: no nível dos signos, a figuratividade, no nível do textos-enunciados propriamente dito, a coerência e a coesão interpretativas, no nível dos objetos, a corporeidade, no nível da cena prática, a prática, e assim por diante, cada nível compreendendo um conjunto de propriedades formais e materiais que permeiam os níveis seguintes. Analisamos semioticamente neste trabalho duas obras publicadas pela editora independente francesa de história em quadrinhos L’Association: Désoeuvré: essai, de Lewis Trondheim (2005), primeiro volume da coleção Éprouvette, e Plates-bandes, de Jean-Christophe Menu (2005), seu segundo volume. Em Désoeuvré, L. Trondheim constrói uma HQ cujo tema é sua dúvida sobre a possibilidade de um quadrinista “envelhecer bem”, tendo o que dizer, sem se repetir e sem trair sua própria obra. Embora seu livro seja composto inteiramente como uma HQ, seu subtítulo (“ensaio”) não deixa dúvidas sobre seu propósito, que é realizar uma reflexão sobre a prática da HQ em suas implicações linguageiras e socioculturais. Já em Plates-bandes, J.-C. Menu concebe um pequeno e panfletário livro de ensaios sobre a situação editorial da HQ independente na França, ilustrando-o com desenhos de cenas de extração, limpeza e anestesia dentárias. Nosso objetivo é compreender, à luz de uma reflexão sobre a tipologia dos discursos, como esses dois originais ensaios contemporâneos, que exploram diferentemente a linguagem verbovisual, constroem sua dimensão ensaístico-argumentativa, provocando em seus enunciatários uma provável inquietação no ato de recepção-interpretação: o que é mesmo um ensaio?