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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: DESCOBRINDO A REESCRITA DIALÓGICA COM O AUXÍLIO DA HETEROGENEIDADE DA ESCRITA
Autor(es): Janana Fernandes Possati. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave Reescrita,Dialogismo,Heterogeneidade da escrita
Resumo O dialogismo é uma característica inerente a qualquer situação em que a linguagem é utilizada. Podemos dizer que o mundo reescreve o mundo, na medida em que não existe manifestação linguística – oral ou escrita – sem que haja uma retomada de discursos e de diálogos anteriores. A partir disso, assumimos que a reescrita de um texto também seria organizada com o auxílio do princípio dialógico que rege a linguagem. Desta forma, apresento neste seminário parte de minha pesquisa de Mestrado, em desenvolvimento no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, que visa compreender como um texto reescrito num contexto escolar é construído a partir dos diálogos instaurados entre seu autor e outros sujeitos. Na busca pela caracterização da reescrita como uma réplica a enunciados e enunciadores anteriores, fazem parte do quadro teórico-metodológico deste estudo a concepção de reescrita segundo Fiad (2009), o dialogismo segundo Bakhtin (2003) e a abordagem teórica da heterogeneidade da escrita, conforme Manoel Luiz Gonçalves Corrêa (2004). Esta pesquisa tem a intenção de caracterizar o processo da reescrita, que é considerado um ato de retorno ao texto, como um enunciado integrante e pertencente a uma extensa cadeia discursiva. Segundo Corrêa, existem três eixos que auxiliam na busca e identificação do modo heterogêneo pelo qual cada escrevente constitui sua escrita: o primeiro corresponde ao diálogo instaurado pelo escrevente com a imagem que tem da gênese da (sua) escrita; o segundo, ao diálogo instaurado pelo escrevente com a imagem que tem do que seria o código escrito institucionalizado e o terceiro, ao diálogo instaurado pelo escrevente com a imagem que tem do que seria a exterioridade (outros textos, outros enunciadores) na constituição de seu próprio texto. Esses eixos auxiliaram na identificação e definição dos diálogos presentes nas reescritas e na compreensão do modo heterogêneo pelo qual cada escrevente constituiu a segunda versão de seu texto. Nas produções textuais analisadas, provenientes de Oficinas de Leitura e Escrita que desenvolvi com estudantes do Ensino Médio numa escola particular da cidade de Campinas, procurei por indícios – utilizando o paradigma indiciário conforme Ginzburg (1989) – que revelassem como as minhas sugestões, enquanto professora das Oficinas, em relação a cada texto influenciaram a sua reescrita. Esse é um dos pontos fundamentais da pesquisa, já que é primordial ao trabalho do professor compreender como o aluno interpreta e dialoga com suas sugestões e observações no processo de ensino-aprendizagem. Apoio: CNPq – Processo 134952/2011-1