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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: A mulher em escritos ficcionais e jornalísticos de Teixeira e Sousa.
Autor(es): Hebe Cristina da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave Romantismo brasileiro,Teixeira e Sousa,Mulher
Resumo Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa (1812-1861) foi um dos primeiros autores brasileiros a dedicar-se com afinco à produção do romance moderno. Apesar de ter sido relegado ao segundo plano por alguns estudiosos da literatura nacional, como exemplificam os comentários divulgados em histórias literárias publicadas ao longo do século XX, o autor foi bem recebido pelos seus contemporâneos, como indicam o número de edições de seus romances e as apreciações críticas que sua produção narrativa obteve por parte de homens de letras oitocentistas que divulgaram artigos em periódicos e livros de crítica literária. A boa acolhida que suas narrativas obtiveram ao longo do Oitocentos deveu-se, principalmente, ao fato de que o autor explorou, nessas produções, os elementos que eram mais apreciados pela crítica da época: a moral e a nacionalidade. Assim como nas obras dos demais escritores que participaram dos momentos iniciais da formação do romance brasileiro, é possível perceber, nos textos em prosa de sua autoria, o intuito de fornecer lições edificantes aos leitores e conferir a chamada “cor local” às narrativas, dando ênfase, por exemplo, à beleza e grandiosidade da natureza tropical e dos costumes nacionais. Vale notar, porém, que a produção de Teixeira e Sousa desperta interesse não só pelo seu caráter exemplificativo, mas também por algumas peculiaridades dentre as quais se destaca a discussão sobre o sexo feminino. Na leitura de sua produção romanesca, chama atenção o modo como o autor abordou o lugar ocupado pela mulher na sociedade brasileira de seu tempo, seja através da voz de personagens ou narradores que denunciaram os prejuízos e perigos a que estavam expostas as mulheres em virtude da imposição masculina ou por meio da atuação de personagens femininas que possuíam uma postura ativa, questionavam as ordens que lhes eram impostas e lutavam para abrir e trilhar os próprios caminhos. As ideias que fundamentam a abordagem do chamado “belo sexo” nos romances do autor também foram divulgadas em duas séries de artigos que ele publicou na Marmota Fluminense, um jornal de modas e variedades que teve ampla circulação em meados do século XIX. Tanto em “A Mulher” (1852) quanto em “O Coração da Mulher” (1853), Teixeira e Sousa defendeu uma postura bastante arrojada para o seu tempo, mostrando-se explicitamente contrário ao casamento forçado.