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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O uso variável do presente do modo subjuntivo em contexto de oração concessiva introduzida pelo conector embora na perspectiva do Sociofuncionalismo
Autor(es): Tatiana Schwochow Pimpo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave conectivo,subjuntivo,sociofuncionalismo
Resumo Os objetivos desta proposta de trabalho estão centrados (i) na investigação do uso variável do presente do modo subjuntivo em contexto de oração adverbial concessiva introduzida pelo conector embora e (ii) na análise dos dados à luz do Sociofuncionalismo. Para alcançar esses objetivos, o córpus está constituído por 48 entrevistas armazenadas no Projeto VARSUL: 24 entrevistas com informantes naturais de Florianópolis/SC e 24 com entrevistados da cidade de Lages/SC (PIMPÃO, 2012). São investigadas 26 ocorrências: 14 de Florianópolis e 12 de Lages. Na perspectiva do Sociofuncionalismo, a língua não é concebida dissociada do uso; é, portanto, heterogênea, maleável, variável. Conforme Tavares e Görski (2012), “pelo menos no plano teórico, a sociolinguística não está tão distante do funcionalismo como parece sugerir Labov”. A especificidade do tipo de contexto linguístico estudado neste trabalho pode ser assim descrita: a oração concessiva funciona como atenuadora de uma informação previamente apresentada. Instaura-se a pressuposição na medida em que o informante decide cancelar ou atenuar uma inferência decorrente de uma determinada informação. Pesquisas têm defendido a interação comunicativa como um ambiente adequado para o estudo de determinadas conjunções concessivas (PIMPÃO 1999; GOUVÊA, 2001; GARCIA, 2004; SALGADO, 2006; PIMPÃO, 2012). É na comunicação que os interlocutores negociam a informação, avaliam seu discurso e a interpretação que dele pode decorrer na mente do ouvinte. Processos cognitivos marcam esse dialogismo na medida em que o falante corrige ou desenvolve uma determinada informação por atribuir ao ouvinte inferências que, não necessariamente, este derivaria. Givón (2005) defende a existência da cognição compartilhada, condição para a comunicação e cooperação. Com relação aos dados em análise, observo uma estreita correlação entre cognição e comunicação: na situação comunicativa, o falante reflete sobre seu discurso, faz avaliações também sobre seu discurso e ainda avalia como as informações podem ser processadas na mente do ouvinte e inferências ele poderá vir a derivar. Dos dados investigados, 10 de um total de 26 ocorrem na amostra das cidades de Florianópolis e de Lages consideradas em conjunto. Em Florianópolis, entretanto, a variação se mostra em um estágio mais avançado. Parece que, funcionando como um retificador, a oração concessiva pode perder seu estatuto de subordinação, que poderia promover a variação do presente do subjuntivo com o presente do indicativo.