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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Os marcadores de preservação da face no diálogo literário
Autor(es): Fabiana Meireles de Oliveira, Mauro Tadeu Longato. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave dilogo literrio,interao,marcadores de preservao
Resumo Esta comunicação analisa excertos do romance O Casamento, de Nelson Rodrigues, com o intuito de demonstrar como os marcadores de preservação da face contribuem para diminuir a força ilocutória dos enunciados, fazendo com que o locutor preserve sua imagem social, como também podem contribuir para promover o apagamento das marcas de enunciação, fazendo com que o locutor se distancie do enunciado. Nesse sentido, o locutor com a necessidade de preservar a face pode, em algumas situações, utilizar os marcadores que atenuem sua imagem social. Dessa forma, esse procedimento assinala e envolve o leitor durante a interação, fazendo com que ele assuma, ainda que parcialmente, as próprias opiniões. A face social é definida como algo que possuímos de pessoal. Trata-se apenas de um empréstimo que fizemos à sociedade. Podemos vir a perdê-la, caso não nos comportemos de modo a merecê-la. Desse modo, ao expor nossa face buscamos frequentemente estender nossas relações sociais. Escolhemos analisar excertos do romance O casamento de Nelson Rodrigues por observarmos que, além de ser um diálogo de ficção, as personagens, ao se comunicarem, utilizam marcadores de preservação da face para resguardarem a própria imagem e a do interlocutor. Trataremos dos estudos dos marcadores apoiados em Galembeck (1999), mostrando como se procede a interação entre os interlocutores e como ambos protegem sua imagem social durante a conversação. Dessa maneira, podemos entender que o indivíduo, quando está diante da sociedade ou do contato face a face, apresenta sua imagem ou seu valor social diante dos outros. Silva (2008, p.168) afirma que "os seres humanos vivem em um universo de contatos sociais com outros indivíduos. Quando se entra em contato com outra pessoa, existe a preocupação de preservar a autoimagem pública". Podemos dizer que uma pessoa pode preservar sua imagem, dependendo do que acontece na interação e dos valores sociais e morais que a pessoa tem. Brown e Levinson (1978) retomam a ideia de face nos estudos de Goffman (1970). Segundo eles todo indivíduo tem uma face positiva, externa, aquela que o indivíduo apresenta socialmente e deseja que seja preservada pelos demais e uma face negativa, interna, aquela que o indivíduo não deseja mostrar, pois isso representaria uma invasão da sua privacidade. Por isso deseja preservá-la. Assim, durante a interação, os interlocutores têm por objetivo atenuar sua face empregando recursos linguísticos que, muitas vezes, são marcadores conversacionais.