logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O funcionamento da autoria na produção epistolar de Mário de Andrade
Autor(es): Fernanda Mussalim Guimares Lemos Silveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave anlise do discurso,funcionamento de autoria,epistolografia
Resumo No presente trabalho pretendo, com base em fundamentos teóricos da Análise do discurso literário proposta por Dominique Maingueneau e, fundamentalmente, com base na concepção de autor formulada por ele em seu livro Discurso literário (2006), analisar parte da produção epistolar de Mário de Andrade, com o intuito de verificar os modos pelos quais se dá o imbricamento entre as três instâncias autorais postuladas por Maingueneau, a saber, a pessoa, o escritor e o inscritor, as quais, segundo o autor, não se dispõem em sequência – seja cronológica ou de estrato –, mas atravessam-se mutuamente, não sendo nenhuma delas o fundamento. A instância da “pessoa” refere-se ao indivíduo dotado de um estado civil, de uma vida privada; a do “escritor” designa o ator que define uma trajetória na instituição literária; a do “inscritor” implica, ao mesmo tempo, as formas de subjetividade enunciativa da cenografia e do gênero do discurso. As correspondências analisadas referem-se àquelas endereçadas a Manuel Bandeira. Nelas, encontram-se relatos de experiências pessoais vividas por Mário de Andrade (como é o caso, por exemplo, da correspondência em que o autor relata como foi o Carnaval que passou no Rio de Janeiro em fevereiro de 1923), mas não são despretensiosas. Nas cartas, Andrade se dá à experimentação, realizando torneios linguísticos que se assemelham aos que se encontram em alguns de seus contos e crônicas e valendo-se de termos, registros ortográficos e construções sintáticas que julga caracterizarem o português do Brasil, além de discutir poemas e tecer comentários em torno da produção literária em geral, da exposição de artes plásticas e apresentações musicais, bem como discutir estratégias de divulgação da arte modernista. Em outras palavras, Mário de Andrade escreve cartas a um amigo, circula (posiciona-se) no espaço literário e faz obra, tudo ao mesmo tempo, o que acaba por permitir que se caracterize esse conjunto de cartas como um corpus de análise pertinente para analisar o funcionamento imbricado das três instâncias da autoria (a pessoa, o escritor e o inscritor), tal como me proponho a realizar neste trabalho. (APOIO: CNPq - Processo 305348/2012-4)