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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Sociofuncionalismo: por uma reflexão epistemológica e heurística
Autor(es): Maria Alice Tavares, Edair Maria Grski. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 23/10/2019
Palavra-chave sociolingustica variacionista,funcionalismo norte-americano,interface
Resumo Nesta apresentação, temos como objetivo discutir questões de natureza epistemológica e heurística, refletindo sobre possíveis emparelhamentos ou aproximações entre premissas que constituem os arcabouços da sociolinguística variacionista e do funcionalismo linguístico norte-americano, além de apontar, com base em demandas atuais, rumos futuros que podem vir a ser seguidos pelo sociofuncionalismo. Há vários fatores que permitem que pressupostos dessas duas abordagens sejam relacionados em busca de possíveis convergências. Daremos destaque a alguns desses fatores, como: (i) o material gramatical é variável e probabilístico por natureza (LABOV, 1972; BYBEE, 2010, 2012); (ii) a mudança é um processo contínuo e gradual, captada sincrônica e diacronicamente de forma complementar (LABOV, 1972), envolvendo duas etapas – a emergência da inovação e a difusão da inovação ao longo da sociedade (HOPPER; TRAUGOTT, 1993); (iii) há relação entre os fenômenos linguísticos e a sociedade que usa a língua: a mudança se espalha de forma gradual ao longo do espectro social, considerando-se fatores como região, geração, classe social etc. (LABOV, 1972; LICHTENBERK, 1991); (iv) a frequência é relevante para a regularização de usos (BYBEE, 2010) e a difusão sociolinguística nos termos labovianos; (v) o percurso de mudança semântico-pragmática e categorial dos itens pode ser descrito como um processo de gramaticalização (TRAUGOTT, 2001); (vi) os princípios de estratificação e de persistência (HOPPER, 1991) respaldam a abordagem sociofuncionalista a partir do conceito de domínios funcionais, correlato da noção laboviana de ‘variáveis linguísticas’; (vii) a variação pode ser solucionada pela substituição de uma forma por outra (LABOV, 1972) ou por especialização de usos, seja por generalização ou por especificação (HOPPER, 1991, TAVARES, 2003); (viii) metodologicamente, procede-se ao detalhamento de cada grupo de fatores buscando captar variações e mudanças em curso ainda sutis (perspectiva funcionalista), e posterior amalgamação de fatores para facilitar a proposição de generalizações (perspectiva variacionista), considerando a possibilidade de ‘motivações em competição’ (GIVÓN, 2002; LABOV, 2010); (ix) os resultados quantitativos e qualitativos obtidos são explicados através de princípios e motivações de natureza cognitivo-comunicativa – cuja fonte principal para as reflexões é o funcionalismo –, além de princípios e motivações de natureza sociocultural e estilística – cuja fonte principal para as reflexões é a sociolinguística variacionista (GIVÓN, 1995; LABOV, 2003).