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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Clarissa Vaughan e Richard em As horas: um casal intertextual
Autor(es): Tas de Oliveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave As horas,Semitica discursiva,intertextualidade
Resumo Analisamos no presente trabalho o filme "As horas" ("The Hours", dirigido por Stephen Daldry, 2002), tendo por teoria norteadora a Semiótica Discursiva de linha francesa. O corpus escolhido é constituído por diversos intertextos, proporcionando vários níveis de leitura. Sua análise é, portanto, desafiadora, principalmente quanto ao recorte a ser adotado como definição daquilo que constitui seu “texto”. Assim, a obra apresenta diferentes níveis de produção de efeitos de sentido, dependentes da competência do enunciatário em identificar remissões ou citações ali presentes. O filme trata do entrelace das histórias de três mulheres ligadas pelo romance de Virginia Woolf, "Mrs. Dalloway". A primeira vive no início do século XX, a segunda, em sua metade, e a terceira, no primeiro ano do presente século. A primeira das mulheres é Virginia Woolf, personagem baseada na história de uma mulher “real”, as duas outras são fictícias. Há, portanto, no filme, elementos biográficos de Virginia Woolf, bem como elementos intertextuais com relação ao romance "Mrs. Dalloway" e possivelmente elementos de outras obras da autora. Nesta análise detemos nossa atenção aos percursos das duas personagens centrais, Clarissa Vaughan, uma editora que vive em Manhattan, e seu amigo e ex-amante Richard, aidético terminal de quem ela cuida. Um dos objetivos do trabalho é desvelarmos os papeis actanciais manifestados por essas duas personagens; além de fazermos um levantamento dos elementos intertextuais presentes no texto e ligadas ao casal. Um dos resultados obtidos pela análise é o papel de Destinador Manipulador desempenhado pelo ator Clarissa tendo seu Destinatário representado pelo ator Richard. A primeira tenta a todo custo convencer o segundo a lutar pela vida. Utilizamo-nos também de recursos da semiótica tensiva que nos possibilitaram chegar a alguns resultados que demonstram os valores ligados à vida e à morte, de acordo com cada uma das personagens citadas. Os resultados apontam que para Clarissa a vida teria caráter emissivo e a morte remissivo. Já Richard enxerga da maneira oposta, para ele a vida teria caráter remissivo e a morte é que teria caráter emissivo.