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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: O corpo da cidade na tela do computador
Autor(es): Cristiane Pereira Dias. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave desenho,discurso,cidade
Resumo Na perspectiva teórica da Análise de Discurso, os sentidos se produzem na relação língua, sociedade e história. Dessa forma, a reflexão a ser apresentada nesse artigo vai tratar do modo como, pela ideologia, os sentidos da violência se naturalizam como sendo parte constitutiva do espaço da cidade, da vida urbana (Orlandi, 2004). Para tanto, vou buscar uma compreensão da materialidade do espaço, a partir da análise da textualização do espaço da cidade num desenho produzido por um adolescente morador de um bairro de periferia da região de Campinas, numa oficina de informática. A oficina propunha uma atividade de desenho livre no Open Office Draw (Linux - ODG). Assim, tomarei o desenho como objeto de reflexão do discurso e do modo de subjetivação do sujeito morador de um bairro de periferia, no que se refere às relações urbanas e sociais. A pergunta que mobiliza a escritura desse artigo é: individualizado pelo discurso do consenso da violência e da criminalidade, quais são as formas de resistência que esse sujeito inventa? Para traçar a reflexão em torno dessa questão, interessa-me observar como a cidade é significada no desenho; que elementos da cidade são textualizados; que discurso se textualiza na forma do desenho. Na tela do computador, a cidade surge na metáfora do trânsito: o traçado do asfalto, as cores do semáforo, o traço alargado da faixa de segurança, os horizontais e diagonais do veículo em movimento apontando o farol para o assaltante de arma em punho e a vítima subjugada. O caos urbano em sua negatividade metaforizada na violência como se ela fosse um traço da arquitetura da cidade. Se os sentidos se produzem na sociedade e na história, é mister questionar de que modo nossa sociedade tem produzido tais sentidos no desenho da vida urbana. O pedestre é substituído pelo par assaltante-vítima e a circulação no espaço urbano é da ordem do perigo iminente, da criminalidade. Por onde escapar?