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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Co-mando de arquivos no Arquivo: o político no digital
Autor(es): Lucilia Maria Sousa Romo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 14/10/2019
Palavra-chave arquivo,discurso,rede eletrnica
Resumo Propõe-se aqui refletir sobre os modos de circulação de arquivos na Internet, entendendo-os como campo de documentos sobre uma dada questão (Pêcheux), problematizando a inscrição do político no tecnológico. Algumas indagações que nortearam nossa pesquisa: na teia digital, espaço imaginariamente de todos e supostamente sem censura nem fronteiras, como a ausência se dá a ver? Como a tela é espelho para encontrar feições esperadas e até mesmo previsíveis, mas também de não permitir o achamento do traço perdido? De que modo é possível perceber os ecos da presença/ausência? O dizer e o silenciar, como estão postos se considerarmos a existência de que há sumiço de dados na Internet, como se coloca o político nesse cenário? Como o que insiste em não ser completo pode encontrar ressonância na teia digital tecida por fios inscritos pela potência tecnológica, exatidão das máquinas, rapidez e ubiqüidade consideradas naturais da rede eletrônica, é mesmo possível tudo dizer? Em tempos de acessos e excessos, que lugar(es) no arquivo digital d-enuncia(m) a falta e o impossível? Haveria furos na rede eletrônica, cujos buracos teriam marcas e materialidades, pegadas e indícios? Sem a pretensão de responder de todo tais questões, iremos percorrer alguns trilhamentos de dizer sobre o arquivo em seu par presença/ausência, vivo/morto, dito/impossível de circular. Trabalhamos com o desaparecimento, sumiço e/ou censura (Orlandi) de arquivos inscreve furos no Arquivo (Romão), colocando em contradição a máxima de tudo poder dizer e a falácia da liberdade de navegação ilimitada. A construção de/em arquivo não é natural, tampouco desvestida de consonância com o poder político, configura-se como efeito ideológico datado por relações com o oficial, em fluxo e em confronto com ele. Nesses termos, a contradição foi (e é) a instância onde é gestado o arquivo com suas “coisas-a-saber” e oficializadas regiões da memória discursiva estabilizadas, sob o efeito ideológico, como únicas de serem ditas (PÊCHEUX, 1999). Há uma instância de comando a ser nomeada como tal, se a tomarmos atrelada ao poder econômico com silhuetas de limites, cujos furos ficam pouco à mostra, mas presentes e operantes. Comando e controle na rede, sim, já que na malha digital é aparente o “trabalho realizado em outro lugar” (ZIZEK, 2011, p.9). Nesses termos, pensamos ser necessário produzir um deslocamento da questão tecnológica/informática para a esfera do político, na qual as engrenagens de dizer são comandadas por esferas econômicas, que detêm o controle de fios tênues e sustentadores da rede digital.