logo

Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Língua, museu e arquivo: sobre a língua como objeto simbólico em funcionamento
Autor(es): Larissa Montagner Cervo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 21/10/2019
Palavra-chave Lngua,Museu,Arquivo
Resumo Nosso objetivo, neste trabalho, é problematizar a língua como arquivo e objeto de museu, o que fazemos com base no aporte teórico-metodológico da Análise de Discurso. Tal proposta vincula-se a um projeto de pesquisa que desenvolvemos ainda quando de nosso estudo de doutoramento e que é voltado à língua como patrimônio, em face do Museu da Língua Portuguesa (São Paulo, 2006). O interesse pela temática da língua como arquivo deriva de uma inquietação que temos quanto ao guardar a língua em um museu, especialmente no que se refere ao Museu em análise, já que seu arquivo ou mesmo sua expografia fogem ao sentido tradicional de soma e acumulação de objetos disponíveis ao olhar, organizados e expostos para serem contemplados. No Museu da Língua Portuguesa, as novas tecnologias de linguagem e a temporalidade das exposições produzem o efeito de um arquivo que está em constante presença e ausência, sem, contudo, que se perca o efeito de completude necessário à constituição do arquivo, consequentemente, à prática e à função museológica de guarda e conservação. Para a compreensão desse processo que, nesse caso, é também chamado de musealização, aqui entendido como o processo de seleção, organização e ressignificação de valores atribuídos a objetos simbólicos tirados ou não de seus contextos de origem para o contexto de um museu, partimos da compreensão de língua como base material e condição de realização de processos discursivos diferenciados (PÊCHEUX, 2009 [1988]), procurando trabalhá-la como objeto simbólico que desliza por entre distintos movimentos de sentido, ou seja, tanto em seu caráter imaginário quanto como possibilidade de acontecimento no mundo. A remissão aos conceitos de língua imaginária e língua fluida (ORLANDI, 2003 [1999]) é possibilidade para a reflexão teórica sobre a prática política de valoração e de estabilização discursiva da língua como objeto simbólico na constituição do arquivo do Museu da Língua Portuguesa e abre caminho, afora a questão museográfica, para pensarmos sobre a legitimação de um discurso por meio do qual são organizados e apresentados fatos e versões que passam a servir de referência na nossa história na/pela/com a língua.