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Programação do 61º seminário do GEL


61º SEMINáRIO DO GEL - 2013
Título: Evolução de uso da ordem XSV no contexto das mudanças estruturais processadas no português clássico a partir do séc. 18.
Autor(es): Alba Verona Brito Gibrail. In: SEMINÁRIO DO GEL, 61 , 2013, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2013. Acesso em: 22/10/2019
Palavra-chave portugus clssico,Ordem cannica VS,Mudana de ordem
Resumo As pesquisas desenvolvidas junto ao Corpus Tycho Brahe apontam mudanças na ordem do sujeito e dos clíticos nas sentenças do português clássico a partir do séc. 18. Os textos dos séc. 16-17 apresentam uma gramática que licencia a ordem VS como ordem não marcada e pronomes clíticos em próclise em contextos não categóricos. Nos textos dos séc. 18-19, aumenta a frequência da ordem SV e de clíticos em ênclise (PAIXÃO DE SOUSA 2004; GALVES & PAIXÃO DE SOUSA 2005). Em estruturas transitivas, o sujeito pós-verbal é atestado nas ordens VSO/VOS, havendo queda na frequência de sentenças nessas configurações a partir do séc. 18 (GALVES & GIBRAIL 2012). Mostrando uma sintaxe diferente do português europeu contemporâneo, que não licencia a ordem VSO, legitimando a ordem VOS como ordem marcada, com o sujeito interpretado como Foco (COSTA 1996, 1998), o português dos séc. 16-17 licencia ambas as ordens com frequência regular. As sentenças de ordem VSO podem dispor de sujeitos como elementos retomados do discurso, sendo interpretados como tópico familiar: (1) Acompanhou o Arcebispo a procissão, cheio de devação, (Sousa, séc. 16) Nesta comunicação, apresento outros contextos de mudança, atestada no corpus, que confirmam a mudança gramatical em processamento na língua a partir do séc. 18. Trata-se da diminuição da frequência da ordem XVS, havendo evolução de ocorrência da ordem XSV. O português europeu não legitima a ordem XPVSO; a ordem XPSVO é sempre formada, mesmo quando o XP em posição inicial não constitui uma entidade entoacional própria (DUARTE 2003). Conforme o resultado da investigação mostra, ocorre também restrição quanto à categoria do sintagma pré-verbal nas estruturas XVS. Nos textos dos séc. 16-17, qualquer constituinte da oração pode preceder o verbo, inclusive o sujeito, em contextos com verbos transitivos e/ou intransitivos/inacusativos (GALVES, BRITO & PAIXÃO DE SOUSA 2005; PAIXÃO DE SOUSA 2004, GIBRAIL 2010; ANTONELLI 2011): (2) A sustância destes três pontos escreveu logo de sua mão o humilde Arcebispo, (Sousa, séc. 16) Nos textos dos séc. 18-19, a ordem XVS é encontrada com frequência maior com verbos intransitivos/inacusativos e o elemento pré-verbal realizado por sintagmas preposicionais, orações gerundivas e adverbiais. A restrição da ordem XVS com verbos transitivos não é observada na evolução da ordem XSV. A taxa maior de sua ocorrência nos textos a partir do séc. 18 é verificada em sentenças transitivas: (3) em 1815 uma festa esplêndida celebrava a queda do Imperador Napoleão. (Marquês de Alorna, séc. 19)